Biocarvão pode ajudar na recuperação do solo

Carlos Pellegrino Cerri explica que o biochar pode beneficiar solo desmatado para evitar queimadas em novas áreas

jorusp

Estudos realizados na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP revelam como realizar a mitigação de impactos ambientais, como emissão de gases de efeito estufa (GEE), utilizando o biochar ou biocarvão, que é caracterizado como um produto do processo de queima com material orgânico. O biocarvão tem potencial para contribuir para um manejo do solo mais sustentável. Ainda não existe uma produção do biochar em nível comercial no País. O professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, comenta ao Jornal da USP no Ar sobre as vantagens e possibilidades de aplicação do biocarvão.

Há tipos diferentes de materiais orgânicos, como aquele oriundo da própria decomposição feita por organismos presentes no solo. “Esse material vegetal, ou animal, é transformado em coloides do solo – partículas bem ‘pequenininhas’ –, que interagem com a parte inorgânica”, explica Pellegrino, e continua: “Esse material, que chamamos de húmus, fica lá por muito tempo e apresenta uma série de características benéficas que podem ser usadas na recuperação de solos”.

O biochar, ou biocarvão, é outro material de origem orgânica, mas que é produzido a partir de um processo controlado, a pirólise, isto é, a transformação por aquecimento de uma mistura, ou de um composto orgânico, em outras substâncias. Esse processo é realizado em condições anóxicas, ou seja, sem a presença de oxigênio. Assim como os produtos obtidos de maneira natural, o biocarvão apresenta uma série de benesses ao solo.

Em regiões de clima tropical, como o Brasil, o solo costuma ser ácido. É possível utilizar o carvão produzido por pirólise para ajudar a reduzir essa acidez. Também é possível selecionar a matéria-prima, que será utilizada na produção do biochar, a fim de obter características específicas, como um produto com maior capacidade de “sequestro de carbono”, mitigando as emissões de GEE.

Para Pellegrino, a origem da matéria-prima do biocarvão é o ponto-chave: “Conseguimos fazer biochar de materiais que são um problema. Vou dar um exemplo típico: resíduo de centros urbanos, lixo”. Em países de clima temperado, o biocarvão já é bastante difundido. O professor explica que na Alemanha há uma produção pertinente de biochar a partir do lixo urbano.

Outra característica oportuna do biocarvão é contribuir na recuperação do solo. “Depois de alguns anos, cinco ou seis, o solo não consegue suportar a produção baseada na queimada, isso leva ao abandono da área e a busca por outra”, comenta o professor sobre o ciclo de desmatamento, e acrescenta: “Caso o biochar fosse aplicado nesses solos já desmatados, ele poderia evitar que novas áreas fossem abertas, desmatadas, pois ele tende a ajudar na melhoria das condições químicas, físicas e biológicas do solo”.


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