Unidade móvel do Ipen levará inovação a empresas

Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares tem o objetivo de aplicar tecnologia nuclear para fins pacíficos

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O Momento USP Inovação desta semana, com a participação de Verônica Lopes, da Agência USP de Inovação (Auspin), contou com a presença de Wilson Calvo, superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). O órgão, que fica na Cidade Universitária, tem como objetivo coordenar aplicações da tecnologia nuclear para fins pacíficos como saúde, indústria, meio ambiente e agricultura e lançou recentemente um projeto de unidade móvel.

Wilson conta que no Ipen há equipamentos, laboratórios, etc., que promovem o desenvolvimento de produtos e processos que vão para a  sociedade. Mas havia o desejo de ter uma unidade que pudesse levar essa tecnologia até a indústria, para servir como demonstração. A unidade funciona como um laboratório móvel, que tem equipamentos analíticos e funciona com um acelerador de elétrons. Essa unidade vai até à empresa, que pode ser uma fabricante de tintas ou petroquímica, por exemplo, coleta efluentes, analisa e por fim aplica elétrons que vão degradar compostos orgânicos. “A gente consegue mostrar para a indústria que existem tecnologias alternativas ao invés de uma incineração ou de um processo convencional”, explica.

Planejamento, desenvolvimento e montagem de uma unidade móvel (carreta) contendo um acelerador de elétrons – Ilustração: Divulgação / Ipen

A logística deve funcionar tanto por meio do contato com empresas como Sabesp e Petrobras como através da divulgação, para que as empresas interessadas os procurem. Uma equipe técnica vai avaliar o problema a ser resolvido e em seguida a unidade se desloca. Depois, pode-se combinar com a empresa uma forma de prestação de serviço. Se a empresa se interessar, pode instalar seu próprio acelerador de elétrons com o Ipen.

O Ipen desenvolve trabalhos em áreas que beneficiam a sociedade. Um exemplo é o desenvolvimento de uma tecnologia de raio-x ou fótons que permite eliminar contaminação por fungos e insetos de obras de artes e esculturas em madeira, sem comprometer o valor histórico da obra. O superintende conta que já receberam esculturas em madeira do Mosteiro de São Bento, quadros de Portinari, da família Votorantim, Palácio dos Bandeirantes, Museu Afro Brasil, entre outros.

Na área médica, há o desenvolvimento de radiofármacos, materiais radioativos em quantidades bem pequenas que são ministrados no paciente para diagnóstico ou terapia de tratamento de câncer. “Com esse medicamento, às vezes você encontra tumores de 2, 3 milímetros, muito precoces.” E, na indústria alimentícia, as especiarias, como pimenta-do-reino e orégano, costumam ter uma quantidade de insetos e fungos, por serem produzidas no campo. “Para proteger a população e para que não faça parte do tempero, fazemos o processo de irradiação, que elimina insetos, reduz o fungo e permite que ele seja embalado e consumido”, afirma Wilson Calvo.

No dia 12 de dezembro, a partir das 9h, o Ipen estará de portas abertas. Toda a comunidade de servidores, alunos e parceiros poderão saber um pouco das atividades do instituto. Haverá espaços culturais contando a história do instituto, será possível conhecer o reator de pesquisa e haverá ainda um show de física e um trenzinho para as crianças conhecerem o campus, dentre outras atividades.

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