Sistema de saúde não está preparado para revolução da longevidade

Especialista cita projeto da USP sobre envelhecimento nos centros urbanos da América Latina e Caribe

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Entre os anos de 2000 e 2016, a expectativa de vida global aumentou em 5,5 anos; de 66,5 para 72 anos, de acordo com um relatório de estatísticas da Organização Mundial da Saúde. Segundo a OMS, a expectativa de vida continua sendo fortemente afetada pela renda. O relatório analisa países em grupos de renda, conforme a classificação do Banco Mundial. Em países em que a renda é menor, a expectativa de vida é 18,1 anos mais baixa do que a de países mais ricos. O relatório aponta ainda que a expectativa de vida das mulheres é maior do que a dos homens em todo o mundo. Jornal da USP no Ar conversa com a professora Marília Cristina Prado Louvison, do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, para entender quais os desafios que a longevidade traz para o poder público.

O envelhecimento populacional não poder ser visto como um problema, mas sim como um triunfo, destaca a professora Marília. O aumento na expectativa de vida é resultante do sucesso de várias políticas públicas empregadas ao longo de décadas. No entanto, uma população mais velha implica maiores desafios para o poder público. “O sistema de saúde tem que se preparar para a revolução da longevidade”, diz a especialista sobre as demandas que a terceira idade já está exigindo.

Foto: Georgi C/Flickr-CC

Houve uma diminuição da mortalidade, mas não da mortalidade sem incapacidade. Ou seja, se está vivendo mais, porém com maior tempo de dependência, pontua Marília. “Não estou dizendo que a velhice traz doenças necessariamente”, comenta a professora da Faculdade de Saúde Pública, e completa: “Precisamos de políticas de promoção de saúde que nos façam envelhecer melhor, de maneira saudável”.

A professora Marília explica que a FSP segue um norteamento mundial da chamada “universidade mais amigável ao idoso”. Em resumo, trata-se de um movimento que busca formular uma cultura que possa olhar melhor para o idoso, “trazendo benefícios para a sociedade no sentido de conhecer, compreender e possibilitar que as políticas públicas possam responder às nossas necessidades (envelhecimento da população)”, discorre.

O inquérito Sabe ( Saúde, Bem-estar e Envelhecimento), coordenado pela FSP, investigou a saúde e o bem-estar de pessoas idosas em sete centros urbanos da América Latina e Caribe, dentre eles a cidade São Paulo. A professora Marília expõe que há outras iniciativas na faculdade a fim de compreender a relação idoso-cidade. Uma grande preocupação dessa população é a mobilidade. Os centros urbanos não estão preparados para comportar o idoso: quedas nas calçadas e nos ônibus são recorrentes.

Os governantes precisam estar atentos para questões como seguridade social e o sistema de saúde. É necessário “produzir aquilo que temos chamado de cuidados de longa duração, ou cuidados de dependência”, enfatiza Marília. Trata-se da consolidação de um sistema que garanta: primeiro, um envelhecimento saudável; segundo, dignidade para a pessoa idosa.

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