Produtores rurais se valem cada vez mais de tecnologias digitais

Sérgio Barbosa comenta pesquisa segundo a qual 84% dos agricultores brasileiros já recorrem a tecnologias digitais no seu dia a dia

O Jornal da USP no Ar recebeu Sérgio Barbosa, gerente executivo da EsalqTec, a incubadora tecnológica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, para analisar levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o uso de tecnologias digitais no campo. 

A pesquisa, feita por meio de entrevistas com 594 produtores rurais e 249 empresas e prestadores de serviço em agricultura digital de todo o País, mostra que 84% dos agricultores brasileiros já recorrem a tecnologias digitais no seu dia a dia. Barbosa afirma que os resultados não surpreendem, porque refletem sua percepção, na medida em que está em contato com os ecossistemas tecnológicos, como os chama. 

“Esses ecossistemas envolvem os atores que, de alguma maneira, participam desse movimento da tecnologia da agricultura. Esses atores são as próprias startups, ou agritechs, empresas ligadas ao agronegócio que possuem uma base tecnológica como modelo de negócio”, explica. Ele considera interessante o fato de o Nordeste ser a terceira região em que mais se utiliza ferramentas tecnológicas, com 26% dos produtores entrevistados, atrás apenas do Sudeste (33%) e do Sul (28%). 

Como grande parte dos produtores reside em áreas urbanas, eles participam do cotidiano das cidades e utilizam os mecanismos que a população já utiliza e que lhes são oferecidos, como a internet, em especial para a busca de informações. Segundo Barbosa, o produtor rural tem duas grandes preocupações: a chuva e o custo da produção. “Em especial quem não conta com irrigação – e isso representa a maior parte dos produtores –, se não houver chuvas, a produção passa por problemas”, aponta. 

O gerente executivo da EsalqTec explica que a agricultura digital é definida pelo aumento da eficiência na transmissão de dados e informações para a tomada de decisões. O produtor consegue, de seu escritório, observar imagens de satélites e drones, utilizar aplicativos de gestão empresarial e, até mesmo, usar sensores embarcados em tratores, por exemplo, a fim de acionar intervenções ou tomar decisões via internet, como ligar um sistema de irrigação, de acordo com o que viu nos sensores de umidade e solo e nas previsões climáticas. “É importante dizer que, antes de partir para o uso de tecnologias digitais, é preciso que o produtor domine a parte analógica da produção.” 

Dentre as dificuldades para o avanço da tecnologia no campo, Barbosa afirma que, por ser a agricultura um investimento de alto risco, a tendência no momento é de conhecer e validar as tecnologias existentes. Há ainda os problemas de conectividade, enfrentados mesmo nos meios urbanos, que são piorados no ambiente rural. Isso representa outro impeditivo na adoção de tecnologias digitais na agropecuária. 

Sérgio Barbosa convida todos a acompanharem o evento realizado pela EsalqTec, o Agrotic, em que, durante uma semana, debates tratarão do uso da tecnologia e da comunicação na agricultura.

Ouça a íntegra da entrevista no player. 


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