Depois do rompimento das barragens, população mineira sofre com epidemias

População de Mariana, após o rompimento, foi atingida por surtos de dengue e febre amarela

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O programa Ambiente é o Meio desta semana fala sobre saúde pública, em especial em locais que sofreram com desastres, como o de Mariana e o de Brumadinho. Para falar sobre esse tema, o convidado é o biólogo Fernando Ferreira Carneiro, especialista em Vigilância em Saúde Ambiental, com mestrado em Saúde Ambiental, doutorado em Epidemiologia e pós-doutorado em Sociologia.

Para o biólogo, o que aconteceu com as duas barragens “não pode ser considerado acidente, mas sim tragédias ou até mesmo crimes. Estes podem ser considerados os maiores casos de acidentes relacionados à saúde dos trabalhadores no Brasil”.

Carneiro ressalta que a Vale “investiu apenas 1.48% de seu lucro com saúde e segurança, isto mostra qual é a política da empresa, mostra o que ela realmente está priorizando. Se você deixa de investir em saúde e segurança, depois não tem como dizer que foi um acidente”.

Em relação ao rompimento, o biólogo faz uma análise. “Pense que a barragem que desmanchou formou um tsunami com mais de dez metros de altura e atingiu uma velocidade equivalente a 80 km/h. Essa onda de lama conseguiu, em menos de um minuto, engolir um refeitório e uma área administrativa que ficavam junto da barragem”, com isso, ressalta que é difícil qualquer plano de fuga que funcione. “Isto é questão de lógica e bom senso.”

Em relação às questões de saúde, Carneiro lembra que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez algumas análises relacionadas ao desastre de Mariana e que houve uma epidemia de febre amarela em Minas Gerais logo após esse episódio, e explica que isso aconteceu devido às grandes perdas na biodiversidade.

“Se parar para analisar as alterações significativas da flora e da fauna, ou até mesmo na qualidade da água, há uma grande perda, principalmente com relação aos predadores naturais. Houve, por exemplo, uma diminuição gigantesca no número de anfíbios e isso ocasionou um aumento de 1.000% nos casos de dengue naquela região.”

Ambiente É o Meio é uma produção da Rádio USP Ribeirão Preto em parceria com professores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e Programa USP Recicla da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP. 

Ouça acima, na íntegra, o programa Ambiente é o Meio.

 

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