Derramamento de óleo ameaça gerar desemprego no Nordeste

Pedro Côrtes diz ser difícil direcionar os trabalhos para conter o óleo sem saber sua origem e, consequentemente, turismo será prejudicado

 11/10/2019 - Publicado há 2 anos  Atualizado: 14/10/2019 as 12:05

As manchas de óleo encontradas no Nordeste já somam 139 praias e 63 municípios. Desde o dia 30 de agosto, quando os registros começaram a ser feitos, equipes estão trabalhando para investigar e limpar as áreas atingidas, mas o problema está longe de ser resolvido. A causa permanece desconhecida. Três possibilidades estão sendo consideradas: acidente durante a exploração off shore na Venezuela ou na Guiana, naufrágio ou derramamento durante a transferência de um navio para o outro há alguns anos. “O naufrágio antigo é a possibilidade mais interessante”, afirma Pedro Luiz Côrtes, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente e do Projeto Temático Fapesp Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista, ao Jornal da USP no Ar.

Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará avaliam que, assim como as caixas de borracha que começaram a chegar no litoral no ano passado (e vieram do navio alemão SS Rio Grande, utilizado na II Guerra), a corrosão do casco pode ter liberado o óleo combustível que teria sido espalhado pelas mesmas correntes. A confirmação só pode ocorrer após a datação da idade do óleo, que está sendo conduzida nos Estados Unidos.

Como o evento gerador é desconhecido, é difícil direcionar os trabalhos no mar para conter esse óleo. Caso as manchas continuem, a degradação do ambiente marinho será maior por conta da decantação, o que pode afetar o turismo nas praias do Nordeste no próximo verão e, consequentemente, o nível de desemprego aumentaria. “Em muitos locais, pescadores estão deixando de trabalhar. Ao persistir essa situação, diversas famílias que dependem da pesca poderão ficar em sérias dificuldades”, afirma Côrtes.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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