Coçar os olhos pode desencadear uma doença hereditária

Esse hábito, aparentemente inofensivo, pode triplicar o número de casos da doença, diz a oftalmologista Verônica Bresciani

O ceratocone é uma doença de origem hereditária, degenerativa e atinge uma em cada 2 mil pessoas, segundo dados da Sociedade Brasileira de ceratocone. O problema aflige adolescentes ou adultos jovens e caracteriza-se por uma redução progressiva na espessura da parte central da córnea, que é empurrada para fora, formando uma saliência com o formato de um cone, daí a origem de seu nome. A doença leva ao aparecimento de miopia e elevado grau de astigmatismo irregular, com acentuada baixa da acuidade visual. Os sintomas apresentados pelo paciente, no início da doença, são desconforto visual, dor de cabeça, fotofobia, diminuição da visão e troca frequente das lentes dos óculos. A enfermidade ainda é a principal causa de transplantes de córnea: entre os mais de 23 mil transplantes realizados por ano no Brasil, mais de 13 mil são de córnea.

O hábito de coçar os olhos é um dos principais fatores desencadeadores da doença, que, dependendo de sua severidade, pode levar à perda da visão. A busca por um oftalmologista precocemente é uma maneira de diagnosticar a doença e começar seu tratamento. A doutora Verônica Bresciani, oftalmologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, lembra que “o ato de coçar os olhos não deixa de ser um trauma ao globo ocular, e a córnea, estando na parte mais anterior, à frente dos olhos, está mais exposta naturalmente a esse trauma. Quando o ato de coçar é feito sistematicamente pode levar ao enfraquecimento estrutural da nossa córnea, o que é a fonte dos problemas do ceratocone, e pode ter seu número de casos triplicado por esse costume”.

 

informações atualizadas em 10/07/20

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