A qualidade da voz pode influenciar na autoestima e nos relacionamentos 

Lídia Teles comenta que a melhor comunicação reflete “favorecendo, possibilitando e ampliando” as interações sociais de uma pessoa, garantindo “melhores relacionamentos e melhor desempenho profissional”

Fotomontagem – Jornal da USP

Assim como a aparência física, a voz e a comunicação também podem impactar positiva ou negativamente a autoimagem de uma pessoa. Uma comunicação clara, objetiva e precisa faz toda a diferença para o receptor e também para o emissor da mensagem capaz de se fazer entendido. E a voz, parte importante da comunicação, tem o poder de revelar o estado emocional de quem fala, assim como a personalidade, sexo e faixa etária.

Problemas com a comunicação e a voz são tratados pelo fonoaudiólogo, profissional que atua tanto na linguagem escrita quanto a oral, o que inclui a voz, a audição e transtornos que prejudicam a comunicação e o aprendizado, entre outras competências na área de saúde. Lídia Teles, professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, confirma que a melhor comunicação reflete “favorecendo, possibilitando e ampliando” as interações sociais de uma pessoa, garantindo “melhores relacionamentos e melhor desempenho profissional”.

Para que a comunicação verbal aconteça, adianta a professora, tem-se a voz, som produzido pela vibração das pregas vocais, na região do pescoço, cobertas por uma camada maleável de mucosa. A vibração desse sistema, quando transformado e articulado pelo movimento de lábios e línguas, se transforma em palavras. Com essa definição de voz, Lídia afirma que “a voz nos identifica tanto quanto a nossa impressão digital nos identifica” e, quando surgem alterações na voz, provocando rouquidão, muito esforço para falar, voz estridente ou muito aguda ou muito grave, um profissional de saúde deve ser consultado.

Para além dos problemas de saúde física, a autoestima também deve ser tratada pela fonoaudiologia, como é o caso da ajuda às pessoas transexuais a encontrarem sua própria voz. “Em alguns casos, é necessária cirurgia, mas alguns ajustes podem ajudar nessa identificação, nessa mudança da voz. Os aspectos da voz feminina e masculina são bastante marcados, identificados”, explica Lídia. Embora não seja um trabalho simples, a professora garante que é possível. “É um processo de adaptação e é muito bonito acompanhar essas pessoas e permitir que elas se expressem sem vergonha, sem timidez, que elas possam ser reconhecidas também pela própria voz”.

E, para uma voz saudável, a fonoaudióloga deixa recomendações gerais: boas noites de sono, alimentação saudável e a prática de atividades físicas. Outra dica importante, segundo Lídia, é evitar falar em excesso e sem pausas ou em ambientes com muitos ruídos, gritar e pigarrear. Cuidados vocais estes importantes a qualquer pessoa e não somente para profissionais da voz, como cantores, locutores, professores e atores. “Manter uma voz saudável significa cuidar da minha saúde”, garante.

 

 

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