Peças do Museu do Ipiranga estão nas mãos das crianças

Memorial da Inclusão apresenta réplicas sobre a história do Brasil para estudantes com deficiência visual

Por - Editorias: Cultura
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A mostra Museu do Ipiranga Para Todos, no Memorial da Inclusão, desperta a memória dos paulistanos – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Curiosas, as crianças e o público em geral que visitam o Memorial da Inclusão têm a oportunidade de aprender, através de diversas ações educativas, a importância da inclusão, da acessibilidade, da conscientização e do respeito aos direitos da população com deficiência.

“Eu não sabia que dava para ler e ver com as mãos”, diz Rodrigo Maia, 7 anos, enquanto passa a ponta dos dedos nas peças da coleção do Museu Paulista da USP – também conhecido como Museu do Ipiranga -, especialmente organizada para promover a acessibilidade. “Também aprendi sobre o sistema Braille. Essas bolinhas são letras e formam palavras”, faz questão de explicar. “Agora sei como caminhar com o meu amigo que não enxerga, mas que pode ler como eu.”

O pedagogo e professor Diego Miranda, da Escola Estadual Arlete Terezinha Pizão, localizada no bairro paulistano de Santana, observa os alunos enquanto tocam as réplicas e objetos da mostra Museu do Ipiranga Para Todos. “Esta visita é muito importante porque promove a integração das crianças”, explica. “A nossa escola tem recebido muitos alunos com deficiência visual, auditiva e motora, daí a importância de participar da programação do Memorial da Inclusão. As escolas públicas especialmente vêm se empenhando com a acessibilidade e a inclusão.”

Diego Miranda, professor da rede pública: “Projetos de inclusão são fundamentais” – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Telas táteis de Benedito Calixto e Pedro Américo

O Museu Paulista da USP, em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, propõe, na mostra Museu do Ipiranga para Todos, um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19. Há objetos como jarra de porcelana, chaleira, urinol, escarradeira e câmeras fotográficas, além de telas táteis, como a reprodução em metal do quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo em 1888, e a obra Fundação de São Paulo, 1892, de Benedito Calixto.

As pessoas com deficiência visual podem observar os detalhes das obras – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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A exposição tem a organização e curadoria das educadoras e historiadoras Denise Cristina Carminatti Peixoto Abeleira e Isabela Ribeiro de Arruda, do Museu Paulista. “Desde sua implantação, em 2001, o Serviço de Atividades Educativas do museu adotou como princípio de ação as questões da acessibilidade e inclusão”, esclarece Isabela.

Para tanto, foram desenvolvidos diversos materiais, como as coleções da Reserva Técnica Didática, composta de objetos que têm como referência documentos materiais, iconográficos e textuais do acervo institucional, telas táteis que transpõem para o alto-relevo imagens originalmente bidimensionais, réplicas em miniatura de esculturas monumentais, elementos arquitetônicos decorativos etc.

“Todos os materiais buscam contemplar a diversidade humana em todas as suas vertentes”, observa Denise.

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Prédio em restauro é o destaque

A mostra Museu do Ipiranga para Todos apresenta um percurso de sete módulos. No centro do espaço está a maquete do prédio projetado pelo engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio e construído de 1885 a 1890. Os textos explicativos têm a versão em braile.

O historiador Márcio Bustamante: “Poder tocar as peças é importante” – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Para Márcio Bustamante, historiador do Memorial da Inclusão e doutorando do Programa de Pós-Graduação Diversitas da USP, a exposição Museu do Ipiranga para Todos desperta a memória afetiva da cidade. “O museu ocupa um espaço na memória coletiva e no espaço urbano da cidade que consiste em um traço extremamente característico da nossa identidade”, observa. “É muito interessante perceber como os visitantes têm suas memórias estimuladas pela mostra, sempre perguntando sobre a reabertura do museu.”

Outra coisa que chama a atenção é o fato de poder tocar as peças, destaca o historiador. “Dessa forma, vê-se que perceber a história a partir de outros suportes, no caso, o tato, é algo extremamente rico não apenas para as pessoas com deficiência visual, mas pela riqueza que trazem ao coletivo em função da diversidade.”

A diretora do Museu do Ipiranga, professora Solange Ferraz, lembra a importância da parceria com o Memorial da Inclusão. “Essa mostra aborda não só os conteúdos e objetos históricos que são o nosso campo de atuação, mas o trabalho dos especialistas. É, portanto, uma maneira de dar a conhecer as especificidades do trabalho especializado e qualificado que a nossa equipe desenvolve.”

O edifício-monumento do Museu Paulista está realizando o projeto de restauro e modernização. E deve ser reaberto em 2022. Enquanto isso, várias parcerias estão sendo feitas. “Nossa meta é continuar as nossas atividades promovendo exposições conjuntas ou mesmo incentivando o empréstimo de acervos. Importante lembrar que várias peças estão sendo apresentadas pelo Nouveau Musée National, de Mônaco, além da coleção barroca no Museu Afro”, informa Solange.

Detalhes dos ornamentos do edifício do Museu do Ipiranga – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Os novos caminhos da educação inclusiva

Localizado no bairro da Barra Funda, o Memorial da Inclusão atende 12 mil alunos das redes públicas de ensino em um projeto que desenvolve em parceria com a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. “Esse projeto proporciona também a formação para professores das mesmas redes sobre educação inclusiva. Inclui a oferta de um curso a distância, em parceria com a Universidade Virtual do Estado de São Paulo, sobre direitos básicos das pessoas com deficiência, voltado para funcionários públicos das redes estaduais e municipais”, esclarece Márcio Bustamante.

O Memorial da Inclusão é um espaço que fica ao lado do Memorial da América Latina. Foi inaugurado em dezembro de 2009, mas o seu movimento em prol dos direitos das pessoas com deficiência destaca-se como uma referência no País...

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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga Para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão. São sete módulos com peças do acervo que sugerem um percurso pelo cotidiano das famílias paulistanas do final do século 19 - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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A exposição Museu do Ipiranga para Todos fica em cartaz até 30 de setembro no Memorial da Inclusão, na Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 564, portão 10, Barra Funda, São Paulo, próximo à estação Palmeiras-Barra Funda do Metrô. Pode ser vista de segunda a sábado, das 10 às 17 horas, e aos sábados, das 13 às 17 horas, exceto feriados. Entrada gratuita. Mais informações pelos telefones (11) 5212-3727 e 5212-3700. Site: http://www.memorialdainclusao.sp.gov.br/
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