Com menos recursos, cresce responsabilidade do marketing político

Professor alerta que ainda hoje é possível a criação de imagens falsas dos candidatos para o eleitorado

jorusp

Profissionais do marketing político se uniram no início do ano em uma associação, o Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político, que tem por objetivo a defesa da categoria. Além de divulgar a profissão, a organização pretende melhorar a desgastada imagem do marqueteiro. Sobre a profissão, Celso Matsuda, professor dos cursos de pós-graduação de Comunicação e Marketing da Escola de Comunicações e Artes da USP, faz um paralelo entre o marketing comercial e o político: no primeiro se vendem produtos; no segundo, ideias e conceitos de candidatos.  

Os efeitos assimétricos da pesquisa de Lazzari mostraram que mesmo quando avaliação sobre situação do país melhora, isso não se transmite aos partidos – Foto: Raphael Concli / USP Imagens

Matsuda diz que o marqueteiro é o novo personagem que surgiu substituindo o cabo eleitoral no cenário político. A diferença entre eles é a presença de conhecimento científico do processo eleitoral. Os cabos se baseavam apenas em suas experiências para decidir as ferramentas utilizadas na campanha. Com o surgimento e ascensão de novos meios e novas mídias, veio a necessidade de um profissional bem preparado, completa.

O professor lembra que hoje há menos recursos disponíveis para as campanhas eleitorais. Com o fim da possibilidade de contribuição de pessoas jurídicas para as campanhas, resta ao marqueteiro o fundo partidário eleitoral e doações de pessoas físicas. A responsabilidade do profissional é muito maior, em um momento em que é necessário otimizar recursos.

Matsuda reconhece que ainda é possível que através do marketing se criem imagens falsas de candidatos. Mas, para ele, o eleitor tem a possibilidade de cobrar quando se sentir enganado, não voltando a votar no político em outras eleições, ou mesmo se valendo de recursos legais de punição. O professor entende que o impeachment é um desses recursos: pune o governante que deixou de ser competente na sua gestão ou que não cumpriu suas promessas de campanha, sendo a honestidade a primeira delas. Celso conclui dizendo que, por maior que seja a importância do marqueteiro no processo de melhoria do sistema político eleitoral, quem tem maior poder de mudança é o próprio eleitor.

Mais informações podem ser acessadas no site do Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

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