“Revista USP” traz dossiê sobre o termo “politicamente correto”

Artigos discutem origens e controvérsias da expressão e como ela é utilizada em disputas políticas

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Edição 115 da Revista USP traz seis artigos sobre termo “politicamente correto” – Foto: Reprodução

Está disponível, em versão impressa e on-line, a 115ª edição da Revista USP. O volume traz um dossiê sobre o termo “politicamente correto”. A pergunta fundamental que a publicação traz a respeito do termo é: “Cerceamento da liberdade de expressão ou instrumento legítimo de rejeição do autoritarismo e da intolerância?”.

Quatro artigos tentam responder o que significaria, na visão de cada um dos autores, a expressão “politicamente correto” e por que ela gera tanta controvérsia na opinião pública brasileira. Os textos buscam contextualizar histórica e socialmente as diferentes aparições desse termo, bem como entender as questões político-ideológicas por detrás das discussões acerca do tema.

“Ao fazê-lo, porém, não deixam de tomar posição, retomando (e enriquecendo) a própria polêmica”, escreve na apresentação do dossiê o professor Cícero Araújo, do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Entre os artigos do dossiê, destaca-se “Esquerda, direita e o politicamente correto: breve estudo comparado”, de João Feres Júnior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O professor parte da análise semântica do conceito, a partir do contexto de sua criação e propagação nos Estados Unidos e de seu uso no Brasil, para identificar os significados atribuídos ao termo, bem como o uso que os espectros políticos da “esquerda” e da “direita” fazem dele. Uma das conclusões é que o termo é utilizado como método de confronto e de disputa política e ideológica, sendo que a chamada “direita” se utiliza dele para “atacar políticas públicas e posições normativas da esquerda”, enquanto a dita “esquerda” raramente evoca o termo “como parte de sua identidade”.

O artigo “Metamorfose dos direitos humanos”, de José A. Lindgren Alves, parte das modificações do conceito de direitos humanos, combinadas a “exageros” do uso do termo “politicamente correto”, que são utilizadas de forma oportunista em determinados posicionamentos.

Além do dossiê, a Revista USP traz texto do arquiteto Kengo Kuma sobre o Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera – Foto: Reprodução / Roberta Rosseto

Já o texto das professoras da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Edwiges Morato e Anna Christina Bentes — “O mundo tá chato: algumas notas sobre a dimensão sociocognitiva do politicamente correto na linguagem” — tem o objetivo de “refletir sobre os sentidos sociocognitivos do politicamente correto, considerando determinadas práticas discursivas no contexto brasileiro contemporâneo”, para trazer as qualificações de “fraco” ou “forte” no uso do termo, a depender da forma e do conteúdo em que ele é utilizado.

Há também o artigo “O politicamente correto e a topologia da exclusão“, da professora Silvana de Souza Ramos, do Departamento de Filosofia da FFLCH. No artigo, a autora explora a hipótese de que o incômodo com a linguagem do “politicamente correto” provém “de uma incompreensão do sentido democrático da liberdade de expressão”. Ela parte de algumas generalidades para mostrar que o que prevalece é a “polêmica” e não a “discussão” sobre o termo, pois os sujeitos que são “atingidos pela linguagem preconceituosa” estão à margem do meio do debate público e, se nele conseguem penetrar, não o fazem com as mesma condições daqueles que já o realizam.

A nova edição da Revista USP – Foto: Reprodução

A edição ainda traz mais seis artigos, separados em três seções: a seção “Textos” traz escritos que tratam de assuntos como o Plano Marshall e a modernização brasileira, Guimarães Rosa e os 100 anos da descoberta da doença de Chagas; a seção “Livros” inclui um texto sobre as origens da geografia como ciência e outro sobre a obra Palmeirim de Inglaterra, do autor quinhentista Francisco de Moraes; e a seção “Arte”, em que Kengo Kuma, um dos maiores arquitetos da atualidade, versa sobre o Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera, projetado pelo arquiteto Sutemi Horiguchi (1895-1984), cofundador do primeiro movimento moderno da arquitetura no Japão.

De periodicidade trimestral, a Revista USP publica artigos relacionados às ciências exatas, humanas e biológicas, buscando também divulgar a cultura para seus leitores. Todas as edições do periódico podem ser acessadas gratuitamente através do Portal de Revistas da USP e a edição impressa pode ser adquirida na loja da Editora da USP (Edusp) que fica na Rua da Praça do Relógio, 109-A, na Cidade Universitária, em São Paulo.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail revisusp@edu.usp.br.

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