O que a ética do consequencialismo tem a ver com os cientistas

Convicções éticas podem se aproximar ou se afastar de correntes importantes de pensamento

O debate levantado nos últimos dias sobre a ética do consequencialismo e como ela se aplica às ciências e aos cientistas são o tema da coluna do físico Paulo Nussenzveig. “Não sou especialista em ética ou filosofia, portanto não posso apresentar uma visão aprofundada sobre o assunto”, afirma. “Mas acredito que todos nós tenhamos interesse em examinar o quanto nossas convicções éticas se aproximam ou se afastam de correntes importantes de pensamento.”

“De modo simplificado, éticas consequencialistas, ou mais geralmente, teleológicas, colocam ênfase nos resultados de uma ação para avaliar seu valor moral”, explica Nussenzveig. “Em contraposição, éticas deontológicas avaliam se algo é correto ou não pelo caráter do comportamento em si, independentemente dos seus resultados. Muitas vezes, éticas consequencialistas são consideradas puramente racionais, enquanto as religiões costumam se guiar por valores deontológicos.”

Segundo o físico, más condutas prejudicam todo o empreendimento científico, em que credibilidade é importante porque evita que tempo seja desperdiçado em desconfianças inúteis de resultados de outros cientistas. “Vejamos, por exemplo, a falsificação de dados. Na maioria dos casos, cientistas acreditam firmemente que um determinado efeito ocorre e, para apressar suas conclusões, falsificam ou falseiam dados para convencer colegas. Acreditam que o resultado justifique a violação…”, aponta. “A conseqüência é que outros cientistas desenvolvem outros trabalhos baseados naquele resultado falso, num castelo de cartas que acaba desmoronando.”

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Ciência e Cientistas
A coluna Ciência e Cientistas, com o professor Paulo Nussenzveig, vai ao ar quinzenalmente toda quarta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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