Das células aos astros, concurso de fotografia premia imagens da ciência

Concurso de Imagens em Ciências da Vida do Instituto de Ciências Biomédicas chega à sua terceira edição em 2016

Por - Editorias: Ciências
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IntoTheDermis 2 - Com esta imagem, o italiano Alessandro Cosci ganhou o primeiro lugar no "I Concurso de Imagens em Ciências da Vida" - 2012
IntoTheDermis 2 – Com esta imagem, o italiano Alessandro Cosci ganhou o primeiro lugar no I Concurso de Imagens em Ciências da Vida – 2012

Fruto de uma obsessão pessoal, o chamado “instante decisivo” é um conceito criado pelo fotógrafo Henri Cartier-Bresson. Para o artista, saber o momento de disparar sua câmera para flagrar um momento específico era não apenas a base de sua estética, como também a chave para fotos que revelavam segredos do universo.

Na ciência, a arte de fotografar tem como principal meta a revelação de momentos fundamentais de uma descoberta, mas ela também pode gerar um registro estético de valor ímpar.

O Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP organiza este ano a terceira edição do Concurso de Imagens em Ciências da Vida. Seu maior objetivo é  usar a fotografia para tornar acessíveis a arte, a ciência e a pesquisa, despertando o interesse do público pelas três.

Com apoio cultural da Carl Zeiss do Brasil, o concurso conta com a parceria do Planetário de São Paulo, ligado à Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo. Agora, além das já tradicionais categorias – Microscopia Eletrônica, Campo Claro, Fluorescência -, a competição passa a incluir como tema a Astronomia.

Enxergando talentos

Glomérulo, segundo lugar no "I Concurso de Imagens", 2012. Autoria: Paulo Henrique de Matos Alves
Glomérulo, segundo lugar no I Concurso de Imagens, 2012. Autoria: Paulo Henrique de Matos Alves

Bianual, a competição foi concebida pelo então diretor do ICB, o professor Rui Curi. Titular do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB, o docente foi inicialmente inspirado pelos colegas, em especial, da área de Biologia Celular e que trabalham realizando estudos de microscopia – aqueles que envolvem fotografias de alta resolução tiradas com o auxílio de microscópios.

Curi percebeu que boa parte dos estudos realizados pelos pesquisadores continha imagens de grande valor não apenas acadêmico, mas também estético. Entretanto, por ficarem confinadas às páginas de artigos publicados em revistas especializadas, a divulgação das imagens para o grande público era limitada. “Eu achava que tínhamos que dar visibilidade para isso”, relembra ele.

Ao procurar a empresa Carl Zeiss, fabricante de lentes e microscópios, Curi buscou uma parceria que pudesse não apenas apoiar a iniciativa como auxiliar na popularização das imagens e do conhecimento. Na área da microscopia, “muitas técnicas e recursos novos são desenvolvidos, mas às vezes poucos pesquisadores acabam tendo informação sobre isso”, aponta o professor.

De acordo com Curi, a ideia era que o concurso servisse como uma plataforma para exibir os talentos por trás das imagens científicas, ao mesmo tempo em que divulgaria novas tecnologias desenvolvidas nessa área.

Olhos de RHYNCHOSCIARA - Autoria: Professora Gláucia Santelli
Olhos de Rhynchosciara – Autoria: Professora Gláucia Santelli. Originalidade, impacto visual, qualidade técnica e conteúdo informacional são critérios da premiação

O concurso foi ao ar com divulgação em português e em inglês, atraindo inscrições de diversas áreas do saber. Da Física até a Medicina e a Odontologia, fotógrafos-cientistas submeteram seus trabalhos.

Conforme Curi, a primeira edição reuniu pesquisadores de todo o País e foi tão bem recebida que permitiu duas novas competições, incluindo a de 2016. “É importante dar continuidade ao concurso porque ele representa um espaço não só para valorização das nossas competências e divulgação das pesquisas, mas é também um fórum de discussão sobre novas tecnologias e ferramentas, além de possibilitar essa interação entre pesquisadores de diferentes áreas”, defende ele.

Ampliando o foco

À frente do comitê e participante na organização das últimas duas edições, a professora Gláucia M. Machado-Santelli, do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB, assumiu a liderança da organização em 2016. Premiada duas vezes em outro concurso internacional, Nikon’s Small World, Gláucia revela que um bordão comum entre os que têm intimidade com o microscópio é “quem fotografou, fotografou. Quem não fotografou, dançou”. Ou seja, no diminuto campo de estudos, uma imagem pode ser a chave decisiva para se comprovar ou mesmo registrar uma conclusão científica.

Paulo Henrique de Matos Alves, 2º lugar, Daniel Gustavo (Zeiss), Profa. Gláucia Machado Santelli (ICB), Ágata Pedroso Natalo (Comunicação Visual/ICB) e Prof. Rui Curi (Diretor do ICB)
Paulo Henrique de Matos Alves, 2º lugar, Daniel Gustavo (Zeiss), profa. Gláucia Machado Santelli (ICB), Ágata Pedroso Natalo (Comunicação Visual/ICB) e prof. Rui Curi (Diretor do ICB)

“A fotografia é essencial para a biologia celular. Quem não consegue visualizar, não tem como contestar”, resume ela.

No que diz respeito à microscopia, a área produz ao mesmo tempo informação e arte. Fato que alimenta mais uma edição do concurso, que tem, entre suas diversas agendas, a ideia de que é possível difundir ciência por meio da arte, especificamente, fotografias.

A avaliação das imagens será feita com base na originalidade, seu impacto visual, qualidade técnica e conteúdo informacional.

Das fotografias recebidas até 23 de setembro, nove serão classificadas como finalistas (três de cada categoria) e outras selecionadas farão parte de duas exposições: uma montada no saguão da Diretoria do Instituto e a outra será uma exposição itinerante que passará pelo Planetário de São Paulo e pelos eventos em que a Cultura e Extensão do ICB participar em 2017/2018.

A inserção da nova categoria – a astronomia – veio com os objetivos de incentivar a atividade de fotografar o céu, valorizar e divulgar a astrofotografia, além de contribuir para divulgar a astronomia no Brasil e no mundo.

O concurso é aberto a qualquer pessoa do Brasil e do exterior que tenha pelo menos 18 anos de idade a partir da data de inscrição. Não há custos para a participação. Cada participante poderá apresentar no máximo três imagens. Todas as inscrições devem ser imagens originais de autoria do participante. Os prêmios incluem um conjunto de lentes para fotografia que são acopladas ao celular e pares de óculos de realidade virtual.

Na visão da especialista, a nova edição e a inclusão de uma nova categoria servem como mais uma evidência de que o concurso, que partiu de imagens retratando realidades diminutas, está “ganhando uma dimensão ainda maior”.

Para participar

A ficha de inscrição está disponível no site do ICB, e deverá ser enviada para o email cienciasdavida@icb.usp.br (cada imagem deve ser enviada com uma ficha). O edital completo pode ser acessado neste link.

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