Estudo mostra os efeitos negativos na educação municipal com a troca de prefeitos

Muitos dos profissionais indicados pelos novos prefeitos podem estar exercendo o cargo pela primeira vez

Por - Editorias: Ciências Humanas
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A troca prefeitos afeta diretamente a educação municipal, pois há ligação direta entre a descontinuidade política e a rotatividade dos diretores, o que impacta de forma negativa no desempenho dos alunos, aponta pesquisa desenvolvida na Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP.

Para mensurar o impacto, o estudo comparou a diferença entre o crescimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2007 para 2009 em municípios onde houve descontinuidade política dos prefeitos (o que leva a uma alta rotatividade de diretores) e em cidades onde não houve essa descontinuidade. A diferença chega a ser 2,60 pontos percentuais menor em cidades de alta rotatividade. Este valor representa quase um quinto do crescimento médio do IDEB no período analisado, de 14,82%.

“Investigando o que pode ter gerado esse impacto negativo, verificamos que em municípios onde há descontinuidade política os diretores são, em geral, menos experientes”, aponta Jéssica Gagete Miranda, autora do estudo intitulado “Descontinuidade política, rotatividade de diretores e desempenho dos alunos: efeitos adversos de novos prefeitos na educação municipal”, no programa de Pós-Graduação em Economia, com orientação da professora Elaine Toldo Pazello.

A pesquisa comprovou que em 2009, primeiro ano do mandato dos prefeitos eleitos em 2008, a rotatividade de diretores foi quase 10 pontos percentuais maior do que em 2007, o que sugere a relação entre as eleições e a troca de diretores do município.

Além disso, em localidades onde houve descontinuidade política, há uma proporção maior de diretores com menos de dois anos de experiência e uma proporção menor de gestores mais experientes.

Dessa forma, muitos dos profissionais apontados pelos novos prefeitos podem estar exercendo o cargo pela primeira vez. “Essa inexperiência pode levar a uma queda na qualidade da administração da escola, o que impacta negativamente o desempenho dos estudantes”, avalia a pesquisadora.

Ainda de acordo com a pesquisa, a rotatividade de diretores também influencia na relação diretor-professor. “Em municípios de maior rotatividade, os professores não acreditam tanto na capacidade do diretor de inspirar comprometimento da equipe escolar e também participam menos das tomadas de decisões da escola”, comenta Jéssica.

O estudo constatou ainda que a troca de prefeitos leva a um aumento da rotatividade dos diretores tanto nos municípios onde a indicação política é usada como método de contratação como também em localidades com outros tipos de seleção, que também sentem os efeitos negativos dessa rotatividade na educação. “Isto pode indicar para o fato de que há influência política na contratação de diretores, ainda que esta não ocorra de forma explícita”, diz Jéssica.

Sobre a descontinuidade política, a pesquisadora ressalta que a alternância de poder fortalece as instituições democráticas de um País, mas que a mudança de um governante pode levar à ruptura de projetos e investimentos iniciados na gestão anterior, o que gera ineficiências no sistema administrativo.

Para tentar solucionar o problema, Jéssica sugere que é importante criar instituições que previnam um prefeito de descontinuar um bom trabalho iniciado pelo antecessor. No caso dos diretores, ela diz que sua indicação não deve ser influenciada pelo prefeito da cidade. “Por exemplo, eleições dentro da comunidade escolar para o cargo de diretor me parece uma saída boa e democrática”, finaliza.

Dulcelene Jatobá/Assessoria de Imprensa da FEARP

Mais informações: (16) 3315-0505

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