Modelo educacional alternativo melhora o aprendizado

Novo método foi testado em alunos que cursaram Física 1 no campus da USP em São Carlos

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Aluno na postura passiva (quando é levado a ficar somente nas aulas expositivas) tem um ganho de aprendizado menor do que aquele que efetivamente trabalha o conteúdo abordado pelo professor – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Com o objetivo de mensurar modelos educacionais alternativos, alunos do curso interunidades de Licenciatura em Ciências Exatas do campus de São Carlos avaliaram o aprendizado de estudantes que cursaram a disciplina Física 1 pelos métodos passivos (apenas aulas expositivas) e ativos (aulas expositivas mais atividades alternativas). O trabalho foi conduzido por Matheus Quibão e outros cinco colegas do curso interunidades, sob orientação dos professores Fernando Paiva e Sérgio Muniz, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.

Dividida em 14 turmas, seis cursaram a disciplina utilizando o método tradicional, enquanto as oito restantes participaram do modelo ativo que entrou em vigor juntamente com a reestruturação da grade curricular do IFSC, em 2017. Das cinco horas semanais de aula do modelo ativo, três foram dedicadas a um ensino mais expositivo, semelhante ao tradicional. Porém, nas duas horas restantes foram realizadas atividades que estimularam os alunos a solucionar problemas, sendo que, nesse caso, os estudantes ainda executavam uma série de trabalhos on-line por meio da plataforma e-Disciplinas da USP, de modo a reforçar o aprendizado.

“A principal mudança foi tentar seguir o que hoje a literatura da área de ensino mostra, que o aluno na postura passiva (quando é levado a ficar somente nas aulas expositivas) tem um ganho de aprendizado menor do que aquele que efetivamente trabalha o conteúdo abordado pelo professor”, explica Paiva.

Sérgio Muniz (esquerda) e Fernando Paixa (direita), pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos que orientaram a pesquisa sobre método alternativo de ensino – Foto: Arquivo pessoal

Sérgio Muniz espera que os resultados desse estudo estimulem outras pessoas a analisar metodologias de ensino a partir de uma abordagem científica, porque a seu ver nem mesmo os cientistas são tão científicos ao discutir métodos educacionais. “Há uma tendência a se guiar pela tradição, replicando métodos usados na sua própria formação, sem avaliar objetivamente o quanto isso funcionou na prática, especialmente diante de uma população de perfil variado.” Outro equívoco comum, segundo ele, é desconhecer a vasta literatura internacional de pesquisas na área de ensino de física que, há algumas décadas, já apontam para as vantagens das metodologias ativas, reforça Muniz.

O estudo sobre modelos educacionais alternativos recebeu menção honrosa e foi destaque na fase internacional do Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (SIICUSP), que se realizou em São Paulo em 2017.

Rui Sintra & Thierry Santos/ Assessoria de Comunicação IFSC

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