Melhora atendimento e número de mortes maternas cai no Brasil

Redução de 8,4% está longe de fazer País atingir a Meta do Milênio da OMS que é de 20 mortes por 100 mil nascidos vivos

Imagem: Jornal da USP/Luana Franzão

O número de mortes de mães para cada 100 mil bebês nascidos vivos caiu de 64,5 em 2017 para 59,1 em 2018. Os dados do Ministério da Saúde mostram redução de 8,4% da Razão de Mortalidade Materna, a RMM, um dos principais indicadores de qualidade de atenção à saúde das mulheres no período reprodutivo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, o óbito materno é a morte de uma mulher, durante ou até 42 dias após o término da gestação, devida a qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez, excluindo as mortes acidentais ou incidentais.

O professor de obstetrícia Ricardo de Carvalho Cavalli, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, diz que, apesar dos avanços, a redução dos números está aquém do que preconiza a Meta do Milênio da OMS.

“A queda no número de mortes maternas que se verifica se deve à qualificação da assistência pré-natal e dos serviços de referência gravídico-puerperal e o acesso dessas pacientes ao serviço de saúde”, analisa Cavalli.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, em 2009, apenas 55% dos óbitos de mulheres em idade fértil, entre 10 e 49 anos de idade, foram investigados. Já em 2018, esse porcentual subiu para 91%, o que ajuda a definir políticas públicas de saúde da mulher. Por outro lado, o professor Cavalli afirma que a OMS recomenda taxas de 20 mortes para cada 100 mil nascidos vivos e para melhorar essas taxas é preciso focar em três pilares. 

“Um pilar inicial, que consiste na possibilidade de cobertura qualificada na assistência pré-natal e parto; a possibilidade de acesso das gestantes e puérperas ao serviço de saúde no pronto atendimento e nas urgências; e, também, a possibilidade de encaminhamento em tempo hábil e adequado para essas mulheres nos centros de referência terciários que devem ter protocolos bem estabelecidos para tratamento das mulheres nas principais causas da mortalidade materna, como hipertensão arterial na gravidez, a hemorragia puerperal e as infecções”, explica.

Ouça no player acima a íntegra da entrevista de Ricardo de Carvalho Cavalli ao Jornal da USP no Ar, Edição Regional.

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