Puberdade precoce chega a ser 20 vezes mais comum nas meninas

Durval Damiani destaca que mães devem procurar pediatra ao observar alterações no corpo da criança

A puberdade é caracterizada pelo período em que o corpo da criança começa a ganhar características de adulto. Esse processo ocorre, normalmente, na adolescência. No entanto, isso pode acontecer ainda na infância, na chamada puberdade precoce, o que pode provocar problemas físicos e psicológicos. O Jornal da USP no Ar conversa com o professor Durval Damiani, chefe da Unidade de Endocrinologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, sobre o assunto.

A ocorrência da puberdade precoce é muito mais comum nas meninas, assim como o próprio diagnóstico. O professor Damiani explique que a frequência nas meninas é de 10 a 20 vezes maior do que nos meninos. Além disso, 90% dos casos de puberdade precoce de meninas não têm sua causa descoberta.

“É muito mais fácil perceber (a puberdade precoce) na menina”, comenta o professor, e avança: “O primeiro sinal de puberdade na menina é o aparecimento do ‘brotinho’ mamário”. Damiani relata que muitas mães ficam desesperadas com o aparecimento do “botãozinho mamário”. A recomendação do chefe da Unidade de Endocrinologia é clara: “Procure o seu pediatra”. Se houver algo de errado, o médico da criança fará o encaminhamento para o especialista.

Cabe destacar que o bem-estar da criança pode ser prejudicado – além de problemas físicos, o processo de sociabilização da criança é comprometido, sobretudo na escola. Mas, se diagnosticada, a puberdade precoce é bloqueada com tratamento clínico.

O professor revela, também, que há uma ocorrência cada vez maior da puberdade precoce. Existem algumas hipóteses para esse fato. Uma delas é a de contaminantes ambientais, ou melhor, interferentes endócrinos. Damiani diz que já foram encontrados interferentes no “plástico utilizado para a fabricação de mamadeira”.


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