Tecnologia 3D facilita adaptação de cadeira de rodas e órteses

Selma Lancman diz que novo laboratório do HC facilita reabilitação de traumas e doenças ortopédicas graves

jorusp

Foi inaugurado recentemente o centro de tecnologia assistiva Rehab Lab, no setor de Terapia Ocupacional do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP. O laboratório conta com uma impressora 3D para a produção de órteses com um braço robótico, controlado por software, que esculpe assentos de cadeiras de rodas, coletes e outros aparelhos ortopédicos. 

A professora Selma Lancman, da FM e da Terapia Ocupacional do IOT, explica que a reabilitação tem outras funções para além de seu objetivo primário. “Existe uma série de fatores associados às deficiências. Com tecnologia, é possível prevenir agravos e deformidades, refletindo na participação social e inserção profissional dos pacientes”, aponta ao Jornal da USP no Ar.

A especialista diz que só no instituto onde trabalha são 400 pacientes na fila por cadeira de rodas. “Ainda há mais no HC”, diz. Com os novos equipamentos do Rehab Lab será possível zerar a espera. O laboratório diminui os gastos e agiliza a entrega dessas tecnologias, de acordo com Selma. “Conseguiremos repor ou adaptar equipamentos, num baixo custo”, indica.

“Às vezes um ajuste no encosto sai mais caro que a cadeira de rodas em si. Esse posicionamento garante mobilidade, autonomia, facilidade de alimentação e respiração, entre outras implicações, fora o conforto”, esclarece a docente. Os materiais utilizados na confecção das órteses e próteses são nacionais, mas o maquinário e o software, importados.

O programa é o que sai mais caro, já que há um aperfeiçoamento constante para mais precisão. Entretanto, o braço robótico é de longa duração, de acordo com Selma. Porém, é um processo que precisa ser repetido. “Os coletes e cadeiras de rodas têm de ser adaptados ao crescimento do paciente e o material se desgasta”, conta. No longo prazo, o investimento vale a pena, porque, mais que a agilidade de produção, permite adaptações a distância. “O paciente pode nem precisar vir ao HC. Quem sabe uma vez só para um diagnóstico presencial”, expõe.

Grande parte dos atendidos no IOT é vítima de traumas. “Acidentes de trânsito, motocicleta”, detalha a especialista. Além disso, há aqueles com doenças neurológicas e ortopédicas, graves e raras. Muitos não moram no centro, outros nem mesmo em São Paulo. O Rehab Lab permitirá um atendimento de ponta pelo serviço público, via SUS.

O projeto foi desenvolvido por meio da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), em uma parceria da Faculdade de Medicina com a Universidade Federal do ABC (UFABC) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Estamos em fase de testes, mas já funcionando. No momento, calibramos o software e outros detalhes, para uma melhor precisão e eficiência. Em duas semanas, esperamos estar em atividade”, conta a professora.

Selma considera o projeto um grande sucesso, uma vez que amarra duas pontas: demandas sociais e clínicas e capacidade de ensino, pesquisa e desenvolvimento das universidades. Assim, será possível dar um passo largo na pesquisa e no atendimento a pacientes de trauma, doenças ortopédicas e neurológicas. “Estamos um passo à frente. Reabilitação também é prevenção”, defende.


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