Meta de vacinação foi atingida no País

Mesmo quem já foi imunizado no passado deve se vacinar por conta da mutabilidade do vírus influenza, diz infectologista

jorusp

O Brasil bateu a meta de vacinação da gripe, sendo que 90% do público-alvo foi imunizado desde o início da campanha. A campanha segue até o fim dos estoques, ou até o final do mês, e sua importância é ainda maior no inverno. Foram confirmados, até o dia 28 de junho, 339 mortes causadas pelo vírus influenza, segundo o Ministério da Saúde. No total, foram 1.576 casos registrados. Marta Heloisa Lopes, médica do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina (FM) e coordenadora do Centro de Imunizações do Hospital das Clínicas (HC) da USP, comentou sobre esses números em entrevista cedida ao Jornal da USP no Ar.

Neste ano, a meta de imunização foi atingida, considerando a média geral. No entanto, alguns grupos ainda mostram resistência à vacinação, por vários motivos. Segundo Marta, “os números maiores que tivemos este ano são reflexo de vários anos de conscientização. Porém, alguns grupos são mais resistentes, e por isso devemos trabalhar em fornecer ainda mais informações. A influenza é uma doença grave e potencialmente fatal, e por isso a vacinação é importante”.

Uma das alegações mais comuns para que as pessoas não procurem se vacinar é a de que elas já receberam uma dose no ano passado. A médica alerta que isso é preocupante, pois “os vírus causadores da gripe, como o H1N1 e o H2N3, sofrem constantes mutações que, mesmo pequenas, são responsáveis por mudar esses vírus, que passam a não reconhecer mais os anticorpos estimulados pela vacina do ano anterior. Por isso a composição da vacina contra a gripe muda todo ano e todos devem ser imunizados anualmente”.

Vacinação no campus da USP Ribeirão Preto em 2017 – Foto: Gabriel Soares

Ela também destaca que a vacina contra a gripe é uma proteção contra doenças causadas exclusivamente pelo influenza, e por isso é importante diferenciar esse tipo de problema respiratório de um simples resfriado, por exemplo. “No Brasil, nós chamamos de gripe várias situações que levam ao comprometimento respiratório alto, como nariz escorrendo e tosse, mas isso pode ser causado por vários vírus. O que estamos combatendo com a vacina são as doenças causadas pelo influenza, que são realmente graves. Na maioria das vezes, o vírus influenza provoca não só um quadro respiratório alto, mas também um mal-estar, dores constantes no corpo, febre alta, e é muito mais grave. Mas, infelizmente, as pessoas confundem e acham que qualquer sintoma parecido com esses é gripe. Por isso é comum as pessoas falarem ‘tomei essa vacina e não adiantou nada’, já que há essa confusão com algum outro tipo de quadro respiratório causado por outros vírus”, explica a especialista.

Marta também informa que “como a vacina contra a influenza é constituída de um vírus inativado, ela pode ser tomada junto a outras, como a da febre amarela e a do sarampo”. Dessa forma, ela recomenda que se procure um posto de saúde, com a carteira de vacinação em mãos, para que ela seja atualizada conforme a necessidade. Uma pessoa que toma a vacina estará completamente imunizada após um período de 15 dias, aproximadamente, e a campanha de vacinação continua até o fim de julho ou até durarem os estoques.


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