Lesões na boca, nódulos e rouquidão podem indicar tumor de cabeça ou pescoço

Para Flávio Hojaij, mesmo com pandemia, em caso de sinais que indiquem algum problema, as pessoas devem procurar orientação médica imediatamente

Foto: ACBG Brasil – flickr

No Brasil, já virou tradição termos meses específicos para conscientização de algum tipo de doença, tal como o Outubro Rosa, mês que serve para conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Ações como essa têm como função principal a descoberta desses tipos de tumores nos estágios iniciais, já que, dessa forma, os médicos podem encontrar o tratamento mais correto e efetivo para o paciente. Nesse sentido, a campanha Julho Verde visa à conscientização e combate ao câncer de cabeça e pescoço.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a cada ano surgem 43 mil novos casos de cânceres que envolvem as regiões da cabeça e pescoço, resultando em 10 mil mortes por ano. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Flavio Hojaij, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), cirurgião e ex-secretário e diretor científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), comenta que, quando o tumor é detectado em uma fase inicial, o tratamento é mais eficaz e traz poucas sequelas. Quando o tumor é grande, os efeitos colaterais da doença podem ser devastadores para a vida da pessoa. Um exemplo seria o tumor das cordas vocais: quando observado em estágio inicial, tem uma probabilidade de mais de 90% de cura, mas passa a ter menos de 30% de chances de sucesso se estiver em um nível mais avançado.

Hojaij explica que lesões na boca, rouquidão e nódulo cervical são alguns dos sinais de alerta que podem indicar que a pessoa esteja com um tumor de cabeça ou pescoço. Ele ainda comenta que o cigarro e o álcool são grandes indutores de tumores, além da existência de um vírus sexualmente transmissível, o papilomavírus humano, que pode causar tumor na faringe, especialmente na orofaringe. Próteses dentárias também podem provocar problemas na boca e lesões que levem ao câncer.

O professor aproveita a oportunidade para falar das dificuldades encontradas pela área de oncologia durante a pandemia, principalmente na questão de cirurgias e tratamento. “Se você tem uma doença que precisa de tratamento, não fique se escondendo em casa. Vale a pena conversar com o seu médico e entender que todos os hospitais, todos os centros de tratamento estão imbuídos de separar o fluxo de pacientes com coronavírus e sem coronavírus, para que a gente possa continuar os tratamentos e ninguém se contaminar com o vírus”, detalha Hojaij.

Ouça a entrevista completa no player acima.


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