Descrever novos vírus aumenta rede de vigilância de novas epidemias

Especialista explica que, em um universo de 87 milhões de vírus, tem-se conhecimento de cerca de 12 mil

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Um vírus que infecta o verme Ascaris suum no intestino de porcos na China foi encontrado no Brasil. O vírus foi descoberto nas fezes de uma criança acometida de gastroenterite e descrito por pesquisadores de várias instituições brasileiras e dos Estados Unidos. O trabalho não permite concluir que o vírus em questão tenha sido trazido da China para o Brasil por alguém que comeu carne de porco infectada ou que esse vírus tenha sido o causador da gastroenterite. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Antonio Charlys da Costa, pós-doutorando do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP, falou sobre o trabalho em buscar novos vírus.

Ele explica que atualmente se tem conhecimento de um pouco mais de 12 mil vírus, quando a estimativa é de que existam 87 milhões deles na virosfera. Segundo Charlys da Costa, demora um longo período entre descrever o vírus e relacioná-lo a alguma doença. O processo inicialmente é buscar sintomas e sinais bioquímicos que indiquem a existência de um agente viral e só depois descrevê-lo. O trabalho no IMT consiste em receber amostras de vários locais do Brasil, com suspeitas de patologia viral. Só quando se encontra um número significativo de pacientes doentes é que é possível relacionar o vírus à patologia.

O especialista exemplifica com o caso da criança com o vírus descrito na China e com gastroenterite. O próximo passo seria um longo estudo no Brasil em fezes para verificar qual a prevalência desses vírus nas crianças. Ele esclarece que esse trabalho foi publicado há meses, mas só repercutiu agora por conta do surto de febre suína africana em porcos na China, provocando a morte de milhares de animais. Ele ressalta que o vírus encontrado não é o da febre suína, que até agora só foi descrito em porcos.

Charlys da Costa conta que o objetivo do grupo é conhecer um pouco mais do que circula no Brasil, e,  para isso, analisam amostras de vários locais do País. Ele comenta que o zika chegou aqui em meados de 2011 e só foi identificado em 2015, o que mostra que foi uma epidemia silenciosa, e é possível prever outros casos do tipo. Agora, eles buscam parcerias com os Laboratórios Centrais de Saúde Pública Estaduais (Lacen) para aumentar a rede de vigilância.

O especialista explica ainda o que são as superbactérias. Ele esclarece que, na verdade, não são bactérias novas, mas sim bactérias comuns que adquirem resistência. Com isso, a maioria dos antibióticos não consegue destruir esses organismos, que conseguem causar muitos danos aos pacientes, principalmente nos que estão nos hospitais.

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