Coronavírus atua de diversas maneiras em pessoas imunodeprimidas

Ricardo Vasconcelos explica que pacientes com HIV e transplantados de medula podem reagir distintamente diante da covid-19

Sempre que uma doença nova aparece, novos cuidados referentes à prevenção são necessários, e com uma enfermidade infecciosa como a covid-19 isso não é diferente. No entanto, quando falamos de pessoas imunodeprimidas, esse assunto ganha um significado diferente, já que, ao ter um problema na imunidade, elas poderiam não estar aptas a se defender de forma correta dessa nova infecção.

O professor  Ricardo Vasconcelos, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), comenta que devemos entender que pessoas imunodeprimidas não são todas iguais, porque, dependendo da razão pela qual a imunidade ficou debilitada, elas podem se comportar de maneira diferente. Ele aproveita para dar um exemplo relacionado ao HIV: quando uma pessoa que tem essa enfermidade não se trata e evolui para um quadro clínico de Aids, o organismo pode reagir diferentemente de alguém que passou por um transplante de medula óssea. De acordo com o professor, essa condição “é um dos fatores em que a pessoa fica mais imunodeprimida, se comparado a outras condições na medicina”.

Quando comparado ao vírus da gripe H1N1, o coronavírus age de forma distinta em imunodeprimidos. De acordo com Vasconcelos, a intensidade da H1N1 era maior quando acometia pessoas com imunidade mais baixa, levando inclusive a mais óbitos. Enquanto isso, a covid-19 se comporta de maneira distinta, pois, “dependendo da imunodeficiência que a pessoa tem, ela pode não ter quase que risco nenhum acrescido”, o que é observado quando relacionamos o coronavírus ao HIV. Ele deixa claro que isso “não quer dizer que a pessoa com HIV está imune ao coronavírus, mas que parece, pelos dados mostrados pela China e Itália até agora, que o HIV não é um fator de risco”. Além desse exemplo, ele também cita a gravidade da H1N1 em gestantes e recém-nascidos, que é bem mais intensa do que em gestantes com a covid-19.

O professor explica os cuidados básicos para as pessoas evitarem a infecção pelo coronavírus, de indivíduos com imunidade normal aos imunodeprimidos. Lavar as mãos, como já informado, é um jeito de desinfectar e limpar aquilo que alguém carregou durante o dia, principalmente ao vermos que a principal forma de adquirir a covid-19 é ao entrar em contato com superfícies cobertas por gotículas infectadas do vírus. Algo que pode ser considerado difícil aos brasileiros, devido aos nossos costumes, é o distanciamento do contato entre pessoas, pois ao abraçar ou beijar alguém estamos aumentando a possibilidade de contato com essas gotículas do vírus.

Ele ainda comenta sobre um estudo publicado recentemente, que mostrou que quase “80% dos casos de transmissão de coronavírus nessa pandemia aconteceram a partir de pessoas que estavam assintomáticas”, porque, mesmo eliminando menos vírus em suas gotículas, elas ainda são a maioria da população.

Ouça a entrevista na íntegra pelo player acima.


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