Pesquisa analisa fatores associados ao surgimento de cárie em crianças de dois a quatro anos

Os resultados fazem parte de uma tese de doutorado realizada na Faculdade de Saúde Pública da USP com crianças moradoras da cidade de Diadema, no Grande ABC paulista

 04/10/2022 - Publicado há 2 anos
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Foto: Freepik

 

Uma tese de doutorado realizada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP avaliou, pela primeira vez, a relação entre cárie dentária em crianças em idade pré-escolar no Brasil e o alfabetismo em saúde bucal de pais e cuidadores. Alfabetismo em Saúde Bucal (ASB) é definido como a capacidade que as pessoas têm de obter acesso, compreender e usar a informação para promover e manter a boa saúde da boca. Os resultados mostraram que a doença foi mais prevalente em crianças entre três e quatro anos de idade e entre aquelas com um ou mais irmãos. A dimensão da recompensa (oferecimentos dados pelos pais aos filhos após a realização de uma refeição saudável, como comida favorita, brinquedos e atividades especiais) associou-se diretamente à severidade da doença.

“Até onde sabemos, nenhum estudo havia avaliado se o baixo nível de alfabetismo em saúde bucal de pais ou cuidadores poderia contribuir para comportamentos inadequados durante as refeições de seus filhos”, relata a dentista Sofia Maito ao Jornal da USP.

Para chegar aos resultados, Sofia fez um estudo transversal (tipo de pesquisa observacional voltada para a análise de dados de diferentes variáveis ​​de uma determinada população amostral, coletados ao longo de um período de tempo) com crianças de dois a quatro anos de idade durante a Campanha Nacional de Vacinação, em setembro de 2017, em todas as Unidades Básicas de Saúde localizadas em Diadema, São Paulo. O exame de 630 crianças avaliou a prevalência de cárie nesta população.

Os pais também foram entrevistados para obter outras informações, tais como condições sociodemográficas, idade, número de irmãos e aglomeração domiciliar, além dos hábitos de saúde bucal, comportamento durante as refeições e o nível de ASB.

Sofia Maito – Foto: Arquivo pessoal

A maioria das crianças era do sexo masculino (52%), 70% delas frequentavam a escola e 81% escovavam os dentes duas ou mais vezes por dia.

As análises também mostraram que a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Bucal (QVRSB) das crianças não foi associada ao ASB, mas a cárie dentária teve impacto negativo neste tópico. O impacto positivo na qualidade de vida foi associado ao número de irmãos, e a maior idade da mãe foi fator importante para reduzir o impacto na QVRSB.

A pesquisa de Sofia deu origem a um artigo publicados na revista Health and Quality of Life Outcomes.

Literatura sobre o tema

Em sua dissertação de mestrado, Sofia já havia estudado a relação entre cárie dentária em crianças e defeitos no esmalte do dente, condição econômica e peso ao nascer. “Por isso, eu já estava um pouco mais familiarizada com a área de odontopediatria e sempre me interessei por temas relacionados às desigualdades sociais e seu impacto na saúde geral e bucal”, diz Sofia ao Jornal da USP. 

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No doutorado, Sofia quis investigar de que forma o pouco conhecimento em saúde bucal poderia influenciar a ocorrência de cárie e a pior qualidade de vida em crianças em fase pré-escolar.

“Outra hipótese a ser investigada era a de que piores comportamentos dos pais durante as refeições dos seus filhos estariam associados a uma maior ocorrência de cárie dentária”, explica a pesquisadora.

A literatura sobre o tema mostrava que pessoas com baixo alfabetismo em saúde geralmente têm menos informações sobre o tema, piores condições, comportamentos mais insalubres e fazem menos uso de serviços preventivos. 

Futuro

Sofia integra, agora, a equipe do Centro de Estudos e Pesquisa em APS e redes (Ceppar) do Hospital Israelita Albert Einstein, e fará seu pós-doutorado dentro da temática de iniquidades em saúde (diferentes formas de acesso, oferta e demanda de serviços na Atenção Primária à Saúde – APS).

Mais informações: e-mail sofiamaito@hotmail.com, com Sofia Maito Velasco


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