Base de dados reúne informações sobre a saúde bucal de 15 países da América Latina

Com participação de pesquisadores da Faculdade de Odontologia da USP, plataforma procura padronizar e atualizar dados para avaliar a situação epidemiológica da população

 08/09/2021 - Publicado há 2 meses  Atualizado: 09/09/2021 as 15:56
Objetivo do projeto é padronizar dados para análise – Arte sobre foto / Freepik

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Criar um banco de dados detalhado, contendo informações sobre a saúde geral e bucal de 15 países da América Latina. Esse foi o objetivo de um projeto da USP que coletou dados sobre saúde bucal de cada país em sites governamentais, documentos e relatórios públicos disponibilizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas (ONU) e World Bank, além de meios oficiais como o correspondente ao Ministério da Saúde de cada um dos países.

O resultado foi um painel dinâmico com dados sobre os países que fazem parte do Observatório Ibero-americano de Políticas Públicas em Saúde Bucal e que pode ser conferido aqui. O projeto foi realizado pela professora da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, em São Paulo, Fernanda Campos de Almeida Carrer, a doutoranda da FO Mariana Lopes Galante, a doutoranda em Saúde Pública Nicole Pischel, e a aluna de iniciação científica Amanda Lida Giraldes.

O grande desafio enfrentado para reunir essa série de dados está no desacordo entre as informações dos diversos países. Afinal, os levantamentos nacionais de saúde bucal não seguem os padrões preconizados pela OMS de modo que seja possível traçar elementos comparativos ao longo dos anos. Além da padronização, se faz necessário uma atualização periódica desses diversos países, com dados recentes que permitam avaliar a situação epidemiológica da população, de modo a propor soluções eficazes com base em evidências científicas.

Segundo Nicole Pischel, uma das idealizadoras da pesquisa, a proposta do trabalho surgiu a partir de uma necessidade de dados e informações em saúde confiáveis e disponíveis. Ela lembra que estabelecer comparações entre os países ainda é algo difícil e, muitas vezes, até infiel a realidade. “Os últimos levantamentos epidemiológicos na Argentina foram feitos em 1989, muitos anos atrás, logo já houve uma mudança política e populacional. Também, alguns países, como o Uruguai, agruparam a idade de 11-14 anos, no lugar de 12 anos para o índice CPO (usado pela OMS para medir a prevalência de cárie dentária em diversos países)”.
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Gráficos dinâmicos com dados da região – Foto: Reprodução/iberoamericanoralhealth

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Analisando o caso do Brasil, os últimos dados encontrados foram de 2010, demonstrando como há uma desatualização, ainda mais considerando o impacto que a pandemia da covid-19 que está acarretando mudanças sociais profundas, desde a razão do número de pessoas na linha da pobreza até a diminuição de diagnóstico de câncer de boca e a falta de atendimento odontológico durante quase um ano.

“Por isso, o levantamento de dados tem sim importância política e financeira, pois com dados concretos é possível a implementação de políticas adequadas com a necessidade nacional do momento, poupando até o país financeiramente. Com o problema destacado, a resolução pode ser mais eficiente e certeira. Isso é uma discussão muito necessária, complexa e longa, mas vejo que o uso de evidências científicas ainda é muito menosprezado e não se tem consciência da importância dos levantamentos de dados, logo, não há o investimento de tempo e dinheiro”, destaca Nicole.

Ela conta que para a organização dos dados, foram criados dashboards (uma ferramenta de gestão da informação) e todo o conteúdo foi disponibilizado no site do grupo de pesquisa do qual ela participaO trabalho ainda venceu o prêmio do 22ºSeminário de Iniciação Científica da FO, na Categoria Iniciação Científica de Odontologia Social.

Mais informações: https://sites.usp.br/iberoamericanoralhealth/report

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Texto adaptado de Gabriel Cillo, da Assessoria de Comunicação da FO

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