Núcleo da USP publica coletânea “Pelas Veredas da Etimologia”

Um obra do professor Mário Viaro, da FFLCH, inspirou a disciplina de pós-graduação em que o livro foi produzido

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Foto: Visualhunt
Livro contribui para a divulgação de pesquisas de etimologia, pouco estudada dentro da área de letras – Foto: Visualhunt


Difícil encontrar quem não ache interessantíssimo – ou no mínimo curioso – saber a origem das palavras. Na seara da etimologia, um dos ramos do estudo de línguas, essa busca envolve métodos próprios, cuidadosamente desenvolvidos e cientificamente estudados. Entre seus notáveis especialistas, está o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Mário Eduardo Viaro, autor de um livro base na área, Etimologia, publicado pela editora Contexto. O livro é tão seminal que inspirou uma turma de pós-graduandos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a produzir uma coletânea sobre o assunto, Pelas Veredas da Etimologia.

A produção aconteceu durante a disciplina “Introdução à Etimologia”, ministrada pela professora Aléxia Teles Duchowny, no primeiro semestre de 2016. “O livro [de Mário Viaro] é muito completo, muito didático, muito rico. Por isso eu fiquei motivada a dar uma disciplina tendo-o como referência principal”, conta Aléxia. Ela organizou o trabalho do alunos da pós em Estudos Linguísticos da UFMG no livro Pelas Veredas da Etimologia, que contou com a edição do próprio professor Mário Viaro, por meio do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa (NEHiLP) da FFLCH, que ele coordena.

A pesquisa etimológica consiste, portanto, em dar um tratamento científico a verdades inacabadas e, muitas vezes, fantasiosas. O que não é tarefa simples e nem divertida, uma vez que, para que seja confiável, ela deve passar por etapas rigorosas, sistemáticas e ser alvo constante de críticas e revisão.” (Vivian Canella Seixas em “De senior a senhor: etimologia e mudança”)

A proposta era que todos os alunos da disciplina, ao final, produzissem um texto acadêmico sobre etimologia, relacionando-o com o conteúdo aprendido no livro de Viaro. A intenção era que esse trabalho pudesse guiar os alunos para seus futuros temas de dissertação ou tese.“Em geral, todos aqueles alunos, os autores, estão tratando de temas ou que são exatamente o que eles vão desenvolver futuramente ou de um assunto que faça interface com o tema da futura dissertação ou tese”, conta a professora Aléxia.

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A professora Aléxia Teles Duchowny utilizou a obra Etimologia, de Mário Viaro, como base para a coletânea de textos produzidos por seus alunos – Foto: Reprodução

Ela ressalta a importância desse trabalho para a divulgação de pesquisas na área de etimologia, que é pouco estudado dentro das letras. Além, também, de ajudar na divulgação da obra do próprio Mário Viaro.

De maneira geral, a língua tende a se reformular, seja através da criação de novas palavras ou alteração/ampliação de sentido das já existentes. Este fator está intrinsecamente ligado à ideia de não se poder dissociar língua e sociedade.” (Shirlene Ferreira Coelho em “Breve estudo etimológico do clítico se no português brasileiro”)

A publicação traz os seguintes trabalhos: Breve estudo etimológico do clítico se no português brasileiro, de Shirlene Ferreira Coelho; Uma abordagem etimológica dos fraseologismos,de Ana Flávia Torquetti Domingues Cruz; Portanto e pourtant: uma proposta etimológica, de Juliana Sander Diniz; Upar, farmar e tankar: origem de neologismos do role-play game, de Wellington Araujo Mendes Junior; Indivíduo: do latim ao português, de Fernanda Carla de Oliveira; Um estudo etimológico da lexia surdo: a aproximação da língua a fatos sócio-históricos, de Bárbara Neves Salviano; As origens de porque em castelhano e português, de Clarisse Barbosa dos Santos; A origem da palavra árabe, de Jéssica Nayra Sayão de Paula e De senior a senhor: etimologia e mudança, de Vivian Canella Seixas.

Assim, verificamos que a incidência de neologismos semânticos é expressiva entre jogadores de RPG. Como em qualquer língua natural, o processo de se conservar o mesmo significante para dar origem a mais um significado ocorre com vocabulários específicos, o que significa uma economia de novos termos.” (Wellington Araujo Mendes Junior em “Upar, farmar e tankar: origem de neologismos do role-play game”)

Por não ser uma disciplina fixa do curso na UFMG, um possível volume 2 do livro não é algo certo. Porém, a professora não descarta a possibilidade, principalmente frente ao bom retorno que foi essa primeira experiência e também devido ao grande volume de temas que ainda podem ser explorados dentro da etimologia.

O livro completo pode ser encontrado neste link.

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