Clínica do Leite lança mapa da qualidade do produto na Região Sudeste

Laboratório monitora cerca de 30% do leite produzido no Brasil; diagnóstico aponta necessidade de melhora no controle da mastite

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Foto: Gerhard Waller/Divisão de Comunicação da Esalq
Foto: Gerhard Waller/Divisão de Comunicação da Esalq

A fim de fornecer informações estratégicas para indústrias, governos, sindicatos, cooperativas ou qualquer outro elo da cadeia produtiva do leite, a Clínica do Leite, programa do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, vai lançar no dia 30 de agosto, durante reunião da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília (DF), o Mapa da Qualidade do Leite Produzido no Sudeste do Brasil, uma publicação que tem como objetivo contribuir com a construção de políticas públicas assertivas e o aprimoramento de programas de melhoramento da qualidade do leite.

“Este trabalho de diagnóstico de qualidade do leite é um dos componentes básicos para que possamos cumprir a nossa missão, que é ajudar a pecuária de leite a melhorar a produtividade e a qualidade, através de conceitos de gestão pela qualidade total. Sem dados e informação não é possível identificar os problemas e agir para corrigi-los”, aponta Paulo Fernando Machado, professor do Departamento de Zootecnia da Esalq e coordenador da clínica.

“O setor sempre demandou informações precisas sobre a situação atual da qualidade do leite e sua evolução nos últimos anos. Trabalhamos de forma intensa nos últimos 15 anos para que pudéssemos ter um banco de dados sólido e, a partir dele, gerar informações úteis para toda a cadeia”, aponta Laerte Dagher Cassoli, gerente técnico e pesquisador da Clínica do Leite. Hoje a Clínica do Leite analisa aproximadamente 30% do leite cru produzido no Brasil, e compõe a Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sendo também acreditado pelo Inmetro na ISO 17.025.

Em 2016 serão lançadas quatro edições. A primeira publicação trata da Contagem de Células Somáticas (CCS), que é o indicador de sanidade da glândula mamária e da incidência de mastite nos rebanhos. Nas três edições seguintes serão apresentadas informações sobre a composição do leite, contagem bacteriana e resíduos de antibióticos. “Cada uma das quatro edições será revisada e publicada anualmente, incorporando-se as informações do último ano. Além disso, o Mapa da Qualidade tem uma licença Creative Commons, que flexibiliza o uso da informação que está sendo disponibilizada, ou seja, permite que essas informações possam ser usadas de forma livre para que ela permeie toda a cadeia ”, explica Henrique Zaparoli Marques, pesquisador da Clínica do Leite.

Apoio
O projeto Mapa da Qualidade conta com o apoio da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), da Viva Lácteos (maior associação da indústria de lácteos) e do MAPA. “O apoio destas instituições reforça a importância de um projeto como este para toda a cadeia”, reforça Cassoli.

Os dados utilizados para elaboração deste diagnóstico são provenientes de indústrias processadoras de leite, que coletam amostras de seus fornecedores, tanto para atendimento da IN-62 como para avaliação da qualidade do leite para programas de pagamento por qualidade. Em 2015 foram 446 indústrias. “Essas amostras são do leite cru, matéria-prima que o produtor vende para a indústria e não do produto final que vai para o consumidor”, explica Cassoli. Essas indústrias estão localizadas em importantes regiões produtoras de leite do Brasil.

A maior parte (46%) está localizada no Estado de Minas Gerais, 42% no Estado de São Paulo e, o restante, nos Estados de Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Ceará e Bahia. Grande parte dessas indústrias está ligada ao Serviço de Inspeção Federal (SIF), seguido de inspeção pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e a menor parte delas responde ao Serviço de Inspeção Municipal (SIM). O aumento do número de indústrias atendidas ao longo dos dez anos refletiu diretamente no número de produtores monitorados. Em 2006 eram 17.275 produtores e, em 2015, chegou a 44.703.

Considerando os 44 mil produtores monitorados no ano de 2015, as médias aritmética e geométrica foram de 595 mil células somáticas/mL e 400 mil céls/mL, respectivamente. Isso indica que os rebanhos médios apresentam uma prevalência de cerca de 50%, ou seja, de cada duas vacas ordenhadas, uma está com mastite. Além disso, esses rebanhos estão perdendo em média 6% de sua produção de leite, além de eventuais perdas relacionadas à remuneração pela qualidade. A partir dos resultados de CCS apresentados fica evidente que a mastite é um problema que traz sérios prejuízos a produtores e indústrias. O Mapa da Qualidade estará disponível a partir de 5 de setembro, em formato digital, pelo site da Clínica do Leite: www.clinicadoleite.com.br.

Mais informações: (19) 3429-4477 / 3429-4109 / 3429-4485

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