A questão da representatividade e o sucesso de “Pantera Negra”

Especialistas comentam a representação de negros ao longo dos anos e o marco que o filme da Marvel representa

O sucesso do filme Pantera Negra é indiscutível e, além das críticas positivas, o longa conquistou a marca de 5ª maior bilheteria de estreia da história dos EUA, representando um marco no gênero de filmes de super-heróis. Entretanto, o mérito do filme não se resume apenas aos seus números de bilheteria: Pantera Negra representa um grande avanço na questão da representatividade negra nas telas de cinema.

“Tanto no plano nacional quanto no plano internacional, temos um histórico de estereótipos degradantes da figura do negro”, afirma a pesquisadora de estereótipos raciais e mestranda em sociologia pela Universidade de São Paulo, Thaís Santos. Segundo a professora, apesar de certos avanços ao longo do tempo, a indústria cultural insiste em representar o negro de maneira negativa, e sobre o recente lançamento afirma: “Quando a gente chega em 2018 com a Marvel fazendo o primeiro filme de um super-herói negro, é fundamental e muito importante quando pensamos em representatividade”.

A cineasta Lilian Santiago, formada em história e mestre em Integração da América Latina pela USP, também ressalta a importância histórica do filme e aponta seus reflexos na juventude: “Eu só fico imaginando o jovem adolescente negro, que pensa em fazer cinema ou gosta de audiovisual, que nunca se vê retratado em nada e de repente tem acesso a uma superprodução dessas, com uma representação muito bem feita”, comenta. Para ela, a questão da representatividade não está só nas telas, mas também nos bastidores, em virtude da dificuldade de inserção no mercado audiovisual: “É um mundo que a gente não tem acesso”, afirma a cineasta.

Para saber mais do sucesso de Pantera Negra e sua importância no tópico da representatividade, confira a entrevista completa no player acima.

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