Economia brasileira segue em recuperação lenta e registra crescimento de 1,1% em 2019

Desemprego persiste elevado e informalidade atingiu recorde em 2019

O PIB brasileiro cresceu 1,1%, atingindo R$ 7,3 trilhões. Este é o terceiro resultado positivo consecutivo, mas abaixo dos registrados nos dois anos anteriores que tiveram altas de 1,3%. Os dados são do Boletim Conjuntura Econômica, dos pesquisadores Francielly Almeida e Eduardo Teixeira, coordenados pelo professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP.

Todos os setores registraram crescimento, com destaque para a agropecuária e serviços com crescimento de 1,3%. A indústria cresceu 0,5% em 2019, puxada pelo avanço de 1,6% na construção civil, que reverteu uma trajetória de cinco anos consecutivos de queda.

Em 2019, o consumo das famílias cresceu 1,8%, devido à redução da taxa básica de juros, liberação de recursos extras do FGTS e melhora da ocupação no mercado de trabalho.

A guerra comercial entre China e Estados Unidos e a crise na Argentina explicam a queda das exportações brasileiras em 2,5%, sendo o pior resultado da demanda externa. As importações, por sua vez, cresceram 1,1%.

“A economia brasileira tem dificuldade de recuperação. O consumo das famílias alavancou o crescimento, mas foi mais fraco no último trimestre. Da mesma maneira, os investimentos também permitiram crescimento da economia do País, mas apresentaram queda no quarto trimestre de 2019 e foram menores em comparação ao ano anterior”, explicam os pesquisadores.

Desemprego
Em 2019, o desemprego permanece elevado e a informalidade atinge recorde. No último trimestre do ano, os 11,9 milhões de desempregados representavam a taxa de desocupação de 11,2%, sendo 0,8 p.p. menor em relação ao mesmo período em 2018.

Segundo o IBGE, a informalidade foi recorde em 2019. O último trimestre do ano atingiu a taxa de informalidade de 40,7%, com 38,3 milhões de trabalhadores informais, apresentando alta de 0,3 p.p., em comparação ao mesmo período de 2018.

Em 2020, as perspectivas de crescimento para a economia brasileira sofreram o impacto do resultado do PIB do ano anterior e do avanço mundial dos casos do coronavírus, estando abaixo de 2% e podem chegar a menos de 1,5% devido ao alto grau de incerteza, segundo especialistas.

Portanto, a reação do governo quanto à desaceleração do crescimento global e as medidas para lidar com o coronavírus vão determinar o quanto a economia brasileira será impactada.

Por Juliana de Lima

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