Ser humano precisa da interação entre natureza e sociedade

Ciências humanas desenvolvem pesquisas nessa interface, buscando visão além da exploração, explica geógrafo

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Foto: Cifor on Visualhunt.com/CC BY-NC-ND

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A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP promove, nos dias 6 e 7 de junho, o evento Meio Ambiente na FFLCH, para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado todo 5 de junho, e a Semana Nacional do Meio Ambiente. A unidade possui diversos estudos relacionados a temas ambientais, embora sua área de atuação sejam as humanidades, normalmente não relacionadas ao assunto. A Comissão de Cultura e Extensão (CCEx) da faculdade pretende ressaltar justamente que o meio ambiente é uma complexa relação das interações sociais, econômicas e culturais com a natureza em sua materialidade.

Os palestrantes, professores da própria faculdade, conversarão a respeito de darwinismo ontem e hoje; terras indígenas e biodiversidade; recursos naturais e mineração, como nos casos de Mariana e Brumadinho; intersecções entre a obra de Drummond e a atividade mineradora; uso de agrotóxicos; e variabilidade e mudança climática, além dos tratados internacionais de meio ambiente, como o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. “As ciências humanas desenvolvem pesquisa na interface entre sociedade e natureza”, explica o professor Yuri Tavares Rocha, do Departamento de Geografia da FFLCH e presidente da CCEx. Segundo ele, não dá mais para se manter uma perspectiva da natureza apenas para fins servis, como no Renascimento ou no Iluminismo.

“Quando se conversa sobre meio-ambiente, pensamos apenas nos seres vivos, na biodiversidade, e esquece-se que o ser humano precisa dessa interação com a natureza”, explica o geógrafo. E uma das tarefas das sociedades, de acordo com Rocha e também com diversos tratados e relatórios internacionais, é evitar o esgotamento dos recursos naturais, proveniente da superexploração. “Por meio da inteligência, do método científico, se encontram soluções amenizadoras desses conflitos, causados pela exploração”, declara.

O professor, em vista disso, lembra de um dos três pilares da Universidade, a extensão. “É nossa missão estender o conhecimento tanto à comunidade universitária como ao público geral, e o evento é uma maneira de fazê-lo”, diz. Ele, para além, considera a urgência do momento, comentando a reunião dos sete ex-ministros do Meio Ambiente na USP, dada a postura negacionista do governo em relação à pasta. O encontro resultou em uma carta externando a indignação do grupo e propondo soluções para o impasse. Ou seja, o conhecimento produzido na academia também propõe respostas.

Aos interessados, o evento é gratuito e não requer inscrições prévias. Serão palestras de 15 minutos seguidas de rodadas de perguntas, visando ao debate. “Queremos não só compartilhar a contribuição científica, mas também aumentar a perspectiva crítica e construtiva nas mesas, evitando a abordagem negativa”, afirma Rocha. Ele ressalta a importância do conhecimento científico em meio à enxurrada de informações, pois nem sempre é do óbvio que se retira a melhor solução. Nas humanidades, os exemplos são vários, como a importância do conhecimento tradicional para a sustentabilidade, ou até conflitos morais entre darwinismo e questões religiosas. Para mais informações acesse o site da CCEx.

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