Ignorância fervorosa, perigo que não deve ser menosprezado

Na coluna desta semana, a professora Marília Fiorillo trata de outro clássico da literatura: “As Bruxas de Salem”

Dando sequência à sua série de comentários, por meio dos quais procura compreender a realidade atual do planeta por intermédio da literatura, a professora Marília Fiorillo elegeu para seu tema de hoje a peça As Bruxas de Salem, de Arthur Miller, de 1953, que parte de um episódio real, ocorrido no final do século 17, na pequena cidade de Salem, em uma Nova Inglaterra colonizada e dominada por puritanos fundamentalistas: o julgamento e a prisão de centenas de pessoas e a execução de dezenas delas, acusadas de bruxaria. O episódio histórico acabou gerando uma histeria coletiva que resultou em delações e acusações inverídicas e injustas, mas que – como costuma acontecer em casos como esse – foram úteis para os interesses ilícitos de alguns.

Marília Fiorillo observa que a peça foi publicada e encenada em pleno período do macarthismo, durante o qual os EUA, por meio do Comitê de Atividades Antiamericanas, também caçou suas bruxas – no caso, suspeitas de serem simpatizantes do comunismo. O próprio Miller foi convidado para depor nesse período, juntamente com inúmeros outros intelectuais. “A peça de Miller é uma obra-prima de desnudamento das várias facetas que compõem essas épocas de caça às bruxas, sejam elas vermelhas ou não”, diz a colunista. Mesquinharias, inveja, ciúmes, ressentimento e ganância – está cimentado o alicerce da perseguição ideológica.

“A perseguição, quer tome a bandeira religiosa – ou racial, ou da falsa moral -, nunca deixou de ser um grande tema, e atualíssimo!” De acordo com Marília, ler ou reler As Bruxas de Salem nos alerta para jamais menosprezar um grande perigo: o da ignorância fervorosa.

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