Teatro da USP faz leitura de peça sobre lugar social da mulher

Obra do Coletivo de Areia, que será apresentada no dia 12 de agosto, dá voz a mulheres “notáveis invisíveis”

Por - Editorias: Cultura
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Texto de Antonio Salvador procura responder à pergunta: quanto sobra de uma pessoa quando só os objetos sobrevivem? – Foto: Paulo Mendes

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Neste sábado, 12 de agosto, o Teatro da USP (Tusp) apresenta a leitura pública de Experimento com Bola de Demolição sobre Objetos de Uso Diário. Com direção de Aline Ferraz e texto do escritor Antonio Salvador, o evento discute os espaços ocupados pela mulher no mundo contemporâneo. O trabalho faz parte da pesquisa do Coletivo de Areia, criado em 2014 pela atriz e pesquisadora em pedagogia do teatro Claudia Alves Fabiano, que também trabalha no Tusp como orientadora de arte dramática.

Primeiro texto teatral de Salvador, que é ganhador do Prêmio Nascente da USP com o romance A Condessa de Picaçurova, Experimento com Bola de Demolição…, tenta responder à pergunta “quanto sobra de uma pessoa quando só os objetos sobrevivem?”. Para isso, a dramaturgia apresenta uma mulher que se debruça sobre a própria existência, lidando com experiências pessoais, restos do passado e pedaços do presente. Nessa busca, o público é convidado a tentar compreender o lugar do feminino na sociedade e a investigar os recantos demolidos da mulher.

“A gente está falando sobre envelhecimento, a passagem do tempo, a relação com a família, a filha, a mãe, todas essas relações que a gente tem com o feminino ao longo da vida”, revela Claudia.

Não é apenas a atriz que dá voz ao feminino, contudo. Além de Claudia, a leitura conta com áudios pré-gravados de “mulheres diversificadas, notáveis invisíveis”. Nessa polifonia encontram-se escritoras, dramaturgas e atrizes, mas também enfermeiras, costureiras e astrólogas.

Trabalho do Coletivo de Areia está no meio do caminho entre a literatura e o teatro – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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“A gente tem uma diversidade de mulheres participantes para amplificar as vozes”, afirma a atriz. Cada uma delas escolheu qual trecho gostaria de gravar e o enviou via whatsapp. “A gente”, continua, “tinha esse desejo de trazer vozes mesmo que de longe, tinha o desejo de se encontrar.”

Além de Claudia e das gravações, o público também é convidado a tomar parte na leitura. Essa interação, relata a atriz, parte da essência das investigações do Coletivo de Areia, que transitam entre cena e texto, buscando a palavra como o centro de uma implosão iconoclasta. “O nosso trabalho está no meio do caminho entre a literatura e o teatro”, conta.

A trajetória que culminou em Experimento com Bola de Demolição… é mais multidisciplinar, entretanto, resultado da colaboração entre profissionais das artes performativas, visuais e da literatura, residentes em São Carlos, São Paulo, Bauru e Berlim, na Alemanha.

“Esse texto faz parte de um projeto chamado Demolições, que começou a partir de um projeto visual na cidade”, explica Claudia. No início, a atriz se juntou ao performer, arquiteto e artista visual Marko Dallabrida e, juntos, passaram a fotografar espaços demolidos. “Eu comecei a refletir sobre minha trajetória como mulher, como profissional, sobre a passagem do tempo. Daí convidei o Antonio Salvador para escrever o texto.”

A leitura pública de Experimento com Bola de Demolição sobre Objetos de Uso Diário acontece no dia 12 de agosto, às 19 horas, no Teatro da USP (Tusp), localizado na Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, em São Paulo. Entrada grátis. Nos dias 26 de agosto, sábado, às 19 horas, e 27 de agosto, domingo, às 17 horas, o Coletivo de Areia fará ensaios abertos da encenação. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3123-5222 e na página eletrônica www.usp.br/tusp.

 
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