Museu de Arte Contemporânea vai ampliar conexão com a cidade

Com projetos de gestão econômica e cultural, o novo diretor do MAC, Carlos Roberto Ferreira Brandão, pretende dinamizar a instituição e tornar seu acervo mais conhecido da sociedade

Por - Editorias: Cultura
Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail
Museu de Arte Conteporânea - Foto Cecília Bastos/USP Imagens
Museu de Arte Contemporânea – Foto Cecília Bastos/USP Imagens

Com uma série de projetos para estreitar as relações com a cidade, incentivando a arte e a cultura, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP entra em uma nova fase. O novo diretor do museu, professor Carlos Roberto Ferreira Brandão, aplica a experiência de quatro décadas na USP – atuando em cargos como diretor do Museu de Zoologia (MZ) e vice-diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) – para apresentar as pesquisas e o acervo de 11 mil obras do mais importante museu de arte contemporânea da América Latina.

“Temos aqui vários desafios pela frente”, observa Brandão, que assumiu o cargo neste mês. “Entre eles está a adequação do prédio do MAC Ibirapuera para assegurar a proteção do acervo e das obras que estão na reserva técnica. Há uma série de providências, como a impermeabilização, os problemas nos caixilhos, a manutenção dos elevadores, a iluminação adequada, a segurança dos seis andares divididos em duas alas, além do térreo e o anexo, entre outras providências que estamos levantando. É importante lembrar que o prédio não foi projetado por Oscar Niemeyer para abrigar um acervo de arte contemporânea.”

Carlos Roberto Ferreira Brandão é diretor do Mac - Foto Cecília Bastos/Usp Imagens
Carlos Roberto Ferreira Brandão, diretor do MAC – Foto Cecília Bastos/Usp Imagens

Brandão observa que a mudança do MAC para o novo endereço ainda não é integral. “A ocupação neste novo edifício ocorreu aos poucos, esvaziando as áreas que o MAC ocupava tanto no prédio da Bienal como na Cidade Universitária, e essa mudança, na verdade, ainda não terminou. A nossa meta é fomentar essa transferência. A equipe do MAC vem trabalhando com eficiência tanto na ocupação do prédio como na manutenção do acervo e na dinâmica de sua programação.”

O diretor tem sobre a mesa as plantas de todos os andares. “Veja só. São 15 mil metros quadrados, fora o anexo”, explica. “É um espaço generoso e os estudos estão avançados para que todas as atividades sejam desenvolvidas aqui. No entanto, estamos pensando nos alunos de pós, especialmente, para que seja mantido um núcleo acadêmico do MAC na Cidade Universitária. Um espaço que poderia não ser apenas do MAC, mas que pudesse apresentar algumas exposições dirigidas aos estudantes, professores e pesquisadores que lá se encontram. Mas essa ideia ainda está em negociação.”

O MAC da USP e da cidade

Buscar uma conexão com a cidade é outro desafio. “Desde que o museu veio para o novo prédio, o número de visitantes vem aumentando a cada dia”, conta Brandão. “A visitação do público espontâneo multiplicou por dez. E a nossa expectativa é de estabelecer uma conexão cada vez maior com a cidade, com uma programação que possa atrair não só os frequentadores do Parque Ibirapuera, mas os pesquisadores e estudantes da USP e de todas as outras universidades. Vamos realizar exposições que divulguem a arte e incentivem a cultura.”

A programação mais importante deste ano está prevista para meados de setembro. “Estaremos apresentando uma grande mostra, que vai dialogar com a 32ª Bienal de São Paulo. Será uma exposição de longa duração, com as 160 peças mais importantes do acervo e irá incluir a maior parte dos prêmios aquisição da Bienal.”

Biblioteca Lourival Gomes Machado - Foto: Cecília Bastos/Usp Imagens
Biblioteca Lourival Gomes Machado – Foto: Cecília Bastos/Usp Imagens

A apresentação será no sexto andar, com obras datadas entre 1950 e 2000. No sétimo andar, estará a produção entre 1900 e 1949. A curadoria é da equipe de docentes e pesquisadores do MAC, integrada por Ana Magalhães, Helouise Costa e Carmen Aranha.

Brandão está otimista com a dinâmica do MAC. Além dos projetos expositivos baseados nas pesquisas do acervo, que contam com o conhecimento e experiência da equipe de curadores, ele pretende trabalhar para que o MAC possa sediar mostras de instituições do Brasil e de outros países, com o patrocínio de instituições privadas. “Seriam exposições que pudessem estabelecer uma relação com as obras do nosso acervo.”

O diretor fala, ainda, da importância da localização, no Parque do Ibirapuera, considerado um dos mais importantes do mundo. “Precisamos olhar para o papel da Universidade, mas também pensar na sua relação com a população, com o entorno e com os museus que também estão na região do parque.”

Até o final do ano, o MAC, aliando cultura e lazer, pretende inaugurar um restaurante diferenciado no oitavo andar e mais um café no mezanino. “Os trâmites burocráticos já estão em processo”, lembra o diretor. A expectativa é de que seja um ponto diferenciado na cidade, já que vai ocupar uma área no terraço, que tem uma das vistas mais privilegiadas de São Paulo.

Outra boa nova é a Biblioteca Lourival Gomes Machado, instalada no térreo. “Acabamos de inaugurá-la. Mas pretendemos adicionar atividades para o público, como, por exemplo, uma sala de leitura para crianças e adolescentes, que poderão consultar um material específico de introdução nas artes.”

Museu de Arte Conteporânea - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Museu de Arte Contemporânea – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A biblioteca do MAC foi fundada com o museu, recebendo, em sua criação, o acervo que pertenceu ao pintor Paulo Osir. Tem também o acervo de 12 mil livros do professor Walter Zanini, que será disponibilizado para consultas. Há, ainda, 32 mil catálogos, 27 mil slides e 1.400 pastas de recortes de jornais. Enfim, um material que possibilita estudar e pesquisar a vida e obra dos artistas do acervo.

Pela primeira vez na sua história de mais de meio século, o MAC tem à frente um diretor que não é da área de humanas. Carlos Roberto Ferreira Brandão é graduado em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências (IB) da USP, onde fez mestrado e doutorado em Zoologia. É professor desde 1977 e titular desde 1999. Tem uma trajetória de dedicação aos museus do País. Em 2015 e 2016, foi presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) do Ministério da Cultura (Minc) e presidente do Comitê Organizador da Conferência do International Council of Museums (Icom), no Rio de Janeiro, em 2013, e organizador do Icom South-South Museums Dialogue, realizado em São Paulo, também em 2013.

São atividades que o credenciam à gestão administrativa e cultural do novo cargo. “Eu decidi me candidatar à função porque tenho muita admiração e respeito pelo Museu de Arte Contemporânea da USP. Desde os tempos de estudante eu frequento o MAC para apreciar o seu acervo.” Brandão dirige o MAC com a professora e artista plástica Kátia Canton, que fica no cargo de vice-diretora até o final de 2018. Depois, será substituída pela professora Ana Magalhães, já eleita para a função.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Textos relacionados