Desabamento de prédio revela crise habitacional em São Paulo

Segundo especialista, não há uma solução pronta, mas um conjunto de instrumentos para promover habitações

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Na madrugada de ontem (1º), um prédio de 24 andares incendiou-se e desabou no Largo do Paissandu. O edifício era ocupado irregularmente por mais de 140 famílias. Apenas um homem é considerado desaparecido. Agora, a Defesa Civil vai vistoriar 70 prédios ocupados no centro de São Paulo. Outra decorrência do incêndio foi a reabertura, feita pelo Ministério Público, do inquérito que apurava o risco de desabamento do prédio, que anteriormente foi arquivado. Eduardo César Marques, professor do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), falou sobre a questão da habitação em São Paulo.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil via Fotos Públicas

Segundo o professor, esse evento traz dois temas à tona: a habitação da área central e a fiscalização de prédios em geral. Ele explica que existe uma crise habitacional com proporções grandes, um padrão de segregação muito elevado e uma quantidade razoável de prédios abandonados mantidos fechados que poderiam ser convertidos para habitação, cumprindo a função social da propriedade a que deveriam estar submetidos. Além disso, são muitas as edificações a serem vistoriadas em São Paulo, porém, a prefeitura não tem um monitoramento constante das áreas que são objeto de maior preocupação.

Sobre a solução para esses problemas, Eduardo César Marques declara que não existe uma solução pronta, mas há uma série de instrumentos que formam um cardápio de coisas a serem feitas. A produção habitacional em outras áreas da cidade reduziria a demanda de habitação na área central. É importante também combater a precariedade através da urbanização de favelas e da regulação de loteamentos. Além disso, deve ser feita a produção de moradias na área central utilizando-se os instrumentos existentes. Tudo isso, é claro, com custos compatíveis com os orçamentos dos moradores. É necessário utilizar todo esse conjunto de ferramentas disponível para promover habitação.

Jornal da USP, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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