Série de conteúdos produzidos pelo projeto Ciclo22, que remete à reflexão da USP sobre quatro grandes marcos (1822, 1922, 2022 e 2122): o bicentenário da Independência do Brasil, o centenário da Semana de Arte Moderna, o tempo presente e os desafios para os próximos 100 anos

Museu de Arte Contemporânea da USP discute modernismos brasileiros

Confira os vídeos que fizeram parte da programação do evento 1922 - Modernismo em Debate em parceria com a Pinacoteca de São Paulo e o Instituto Moreira Salles

 Publicado: 01/10/2021  Atualizado: 07/10/2021 as 10:19

Crisley Santana

Para rever e analisar criticamente a Semana de Arte Moderna e seus desdobramentos, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, em São Paulo, realiza o evento 1922: Modernismos em Debate em parceria com a Pinacoteca de São Paulo e o Instituto Moreira Salles (IMS). 

A programação se iniciou em março deste ano, com ciclos de debates on-line transmitidos ao vivo pelas páginas do MAC no YouTube e Facebook. O evento vai até dezembro, com a participação de pesquisadores e artistas. Para ampliar a discussão sobre o Modernismo brasileiro, o ciclo busca extrapolar o eixo Rio-São Paulo percorrendo a produção artística e intelectual de outros Estados.

“Ao longo do século 20, a Semana foi sendo consolidada como um marco inicial do Modernismo no Brasil e esses encontros sobre 22 vêm no sentido de mostrar que ela não foi o único. Existiam outros núcleos de Modernismo e de experiência de modernidade no País”, disse a professora Ana Gonçalves Magalhães, diretora do MAC e uma das organizadoras da programação, ao Jornal da USP.

Além da professora Ana, a organização conta com Helouise Costa, professora no MAC; Heloísa Espada, curadora de artes visuais no Instituto Moreira Salles, e com as curadoras da Pinacoteca de São Paulo, Valéria Piccoli, Fernanda Pitta e Horrana Santoz.

Temas contemporâneos e ligados ao Movimento Modernista também fazem parte da programação. Na esteira dos debates entram estudos feministas, de conteúdo LGBTI+ e decoloniais para analisar as representações de mulheres artistas, pessoas pretas, indígenas e das camadas populares no Modernismo.

No sentido horário: Ana Gonçalves, Helouise Costa, Heloísa Espada, Valéria Piccoli, Fernanda Pitta e Horrana Santoz - Fotos: Divulgação / MAC, IMS e Pinacoteca

O primeiro debate, por exemplo, intitulado Histórias da semana: O que é preciso rever, aconteceu no dia 26 de março e tratou das transformações teóricas e estéticas ocorridas na passagem do século 19 para o 20 no Brasil. Além de São Paulo, palco da Semana de Arte Moderna, o ciclo abordou as manifestações modernistas que aconteceram em Belo Horizonte, Minas Gerais. O Modernismo como gênero também foi discutido.

Em 26 de abril, o encontro Identidade como Problema discutiu o senso comum segundo o qual o Modernismo teria resgatado a negritude brasileira do apagamento cultural. As regiões Norte e Nordeste também ganharam foco com debate sobre os movimentos regionalista e tradicionalista do Recife e suas relações com o movimento modernista. 

A relativização de conceitos europeus de Modernismo e modernidade a fim de rever a estigmatização das culturas periféricas foi tema do encontro Culturas urbanas, transmitido em 31 de maio. A mesa também debateu as reformas urbanas realizadas em 1922 no Rio de Janeiro, as propostas estéticas da Semana de Arte Moderna, além das dinâmicas urbanísticas no Brasil a partir do samba, futebol e umbanda.

No quarto encontro do ciclo, o evento O popular como questão, realizado em 28 de junho, deu foco às artes popular e culta e como essas expressões foram tratadas por gerações modernistas. Também foram abordadas as culturas africanas e afro-brasileiras como fatores cruciais da modernização artística no Brasil e as ideias de tradição em autores como Gilberto Freyre e Mário de Andrade.

Em Outras Centralidades, encontro transmitido no dia 26 de julho, os debates se debruçaram na necessidade de uma reparação histórica na comemoração do centenário da Semana de Arte Moderna. Muito além de Rio-São Paulo, o Modernismo ocorreu em diversas regiões do País, como o Nordeste, com sua vitalidade de manifestações culturais; Goiás, em que a linguagem modernista se configurou após a inauguração de Goiânia, em 1942; e Rio Grande do Sul, estado em que o movimento encontrou seu lugar numa espécie de conciliação com a cultura regionalista dos Pampas. O debate também deu foco às vanguardas culturais do Brasil e da Argentina nos anos 1920.

Artes indígenas: apropriação e apagamento foi o tema do sexto encontro, em 30 de agosto. Temas como colonialismo, antropofagia, domínio e apropriação foram debatidos, com foco na produção artística dos povos indígenas.

No último evento, realizado em 27 de setembro, Fotografia e Cinema no Modernismo brasileiro foram foco da discussão. Pesquisadores debateram a ausência dessas linguagens na Semana de 22, como também é conhecida a Semana de Arte Moderna.

O ciclo de encontros é uma forma de o museu se preparar para as comemorações de 2022. As atividades integram o conjunto de iniciativas da Universidade que envolve institutos, faculdades e museus da USP em atividades sobre os marcos do Brasil nos anos de 1822, 1922, 2022 e 2122. O evento está em torno do convênio firmado recentemente entre a USP e o IMS.

Confira as datas dos próximos debates do ciclo 1922 – Modernismos em Debate:

25 de outubro – Artes do Cotidiano
29 de novembro – Políticas do Modernismo
13 de dezembro – Futuro e Passado: Legados para o patrimônio

Mais informações: http://www.mac.usp.br/mac

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