Como combater um racismo estrutural que nunca se desfez

O colunista busca uma solução a essa questão ao comentar a sua pesquisa em Berlim, mostrando como, através da arte, a cidade conta a sua história

 

 

“Como São Paulo, com a sua importância, centralidade, grandeza e riqueza, poderia, de fato, contribuir para combater esse racismo estrutural que nunca se desfez e vem de um período negro de nossa história, que foi a escravidão?” A questão é apresentada pelo professor Martin Grossmann em sua coluna Na Cultura, o Centro Está em Toda Parte, na Rádio USP (clique no player acima).

Grossmann busca uma resposta lembrando a pesquisa que desenvolveu como professor na Universidade Humboldt, a mais antiga de Berlim. “Desenvolvi um estudo sobre a presença da cultura nessa cidade que acredito ser um ótimo estudo de caso.” O colunista comenta como, através da arte e da cultura, a cidade apresenta a sua história, marcada pelo holocausto e pelos horrores da Segunda Guerra Mundial. “Ali, há museus, centros culturais, espaços para encontros e memoriais que foram planejados para, de fato, ressaltar e atualizar essa memória desse passado trágico, não só de Berlim, mas da própria Alemanha.”

Grossmann destaca que a cultura e as artes têm um papel central nas políticas públicas e privadas de Berlim, totalmente arrasada na Segunda Guerra Mundial. “Na sua reconstrução, a cidade repensou o papel dos museus, abrindo espaço para novos museus e para outros dispositivos culturais.”

O professor cita, como primeiro exemplo, o museu Topografia do Terror, um centro de documentação que está no local onde ficava a sede da polícia secreta do Estado, uma unidade paramilitar dos nazistas. “A arquitetura é impactante, mas, acima de tudo, é o seu conteúdo que interessa. Escolas, turistas, habitantes da cidade têm esse centro como referência, porque ali estão os documentos dessa política do terror perpetuada e levada a cabo pelo Terceiro Reich.”

O Memorial aos Judeus Mortos da Europa, inaugurado em 2005, é outro espaço destacado pelo professor. “Esta obra foi projetada pelo arquiteto Peter Eisenman, que consiste de 2.711 blocos de concreto com diferentes medidas e inclinações. Tem uma relação volumétrica e dinâmica das formas que causam um estranhamento entre os visitantes. No seu subsolo, também tem um centro de documentação.”

Grossmann aponta também o Memorial do Muro de Berlim, um museu a céu aberto que se estende por vários quarteirões onde o muro foi erguido em 1961, “separando a Alemanha Ocidental e a Oriental, os capitalistas dos socialistas, até a sua queda, em 9 de novembro de 1989”. O seu memorial foi inaugurado em 1998. “E chama a atenção para o absurdo de ainda termos no mundo muros que separam populações, cidades, culturas. Lembra algo que precisa constantemente ser revisto e criticado”, afirma o colunista.


Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar toda quarta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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