Resíduos da construção civil podem ser usados na recuperação de áreas degradadas

A engenheira agrônoma Thayana Azevedo Lopes descreveu como reutilizou resíduos da construção civil e os tornou adequados para o crescimento de plantas. O trabalho foi realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba

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Jornal da USP
Resíduos da construção civil podem ser usados na recuperação de áreas degradadas
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A engenheira agrônoma Thayana Azevedo Lopes desenvolveu, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, uma pesquisa em que reaproveitou resíduos da construção civil tornando-os adequados para o crescimento de plantas. O trabalho de mestrado intitulado Tecnossolos elaborados com resíduos da construção civil: potencial para a recuperação de áreas degradadas foi realizado sob a orientação do professor Tiago Osorio Ferreira, da Esalq.

Na entrevista desta quinta-feira (8) nos Novos Cientistas, Thayana descreveu como realizou seu estudo. “No Brasil o tecnossolo é uma tecnologia ainda recente. Os primeiros trabalhos e estudos sobre essa técnica são de 2007”, contou. Segundo a engenheira, os tecnossolos, elaborados a partir dos restos da construção, podem ser feitos sob medida. No estudo de Thayana o material foi aproveitado no estabelecimento e desenvolvimento de mudas de mutambo (Guazuma ulmifolia Lam.) e pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha (Mart.) J. F. Macbr.). “São duas espécies arbóreas nativas do Brasil amplamente utilizadas em projetos de restauração florestal”, descreveu a engenheira.

Os experimentos foram realizados em casa de vegetação durante quatro meses. Nesse período os pesquisadores mediram a altura e o diâmetro do caule ao nível do solo das mudas a cada 15 dias e, no final, avaliaram a biomassa seca total das plantas e suas concentrações de macro e micronutrientes. Os resultados demonstraram que as plantas de mutambo cresceram mais em altura e obtiveram maior produção de biomassa total em todos os tecnossolos do que no solo controle, enquanto que as plantas de pau-jacaré apresentaram o mesmo crescimento em altura e a mesma produção total de biomassa nos tecnossolos e no solo. “Os resultados mostraram que os tecnossolos elaborados com os resíduos da construção, com ou sem adição de composto orgânico, têm potencial para permitir o crescimento de árvores nativas do Brasil em áreas onde houver perda ou degradação de solo”, disse a pesquisadora.


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