Brasil precisa atrair investimentos para a retomada da economia

Hélio Zylberstajn diz que, para voltarmos a criar empregos, é necessário investir, ampliando a base produtiva e fazendo crescer a infraestrutura deficitária do País

Não é novidade que a crise sanitária e de saúde, provocada pela pandemia do novo coronavírus, agrava crises internas de diversos países como o Brasil. Somente na área econômica, já foram perdidos 1,1 milhão de empregos formais entre março e abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número total de desempregados é de 12,8 milhões, preocupando o governo federal, que vem pensando em alternativas para evitar o desemprego em massa.

Para falar sobre o assunto, o Jornal da USP no Ar entrevistou Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e coordenador do Projeto Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Para entender como o Brasil chegou nesses números, é preciso levar em consideração as reformas que vinham sendo aplicadas e o leve aumento do emprego formal registrados no final do ano e começo de 2020. “Se não tivéssemos introduzido algumas políticas, o impacto poderia ter sido dez vezes maior”, afirma Zylberstajn.

Dentre as políticas, o professor cita as medidas provisórias 927 e 936, que permitiram a empresas e trabalhadores fazerem um ajuste nos seus acordos trabalhistas, prevendo a preservação dos empregos, inclusive com subsídios governamentais, além do auxílio emergencial de R$ 600, que ajudou os trabalhadores informais e desempregados. Somando as duas iniciativas, o governo tem gastado cerca de R$ 65 bilhões por mês, ou seja, quase 40% da massa de rendimentos dos trabalhadores somente do setor privado.

As medidas têm um tempo determinado de duração e serão necessárias outras fórmulas de geração de renda aos trabalhadores. Para o professor, o ministro da Economia, Paulo Guedes, passa uma única sensação aos economistas nesse quesito: a exoneração da folha de pagamento para criação automática de emprego. “É uma ideia interessante, pois taxamos muito o trabalho no Brasil, um erro histórico. […] Mas é importante dizer que só isso não deve criar emprego”, acredita Zylberstajn. Ele diz que para voltarmos a criar empregos é necessário investimento, ampliando a base produtiva e fazendo crescer a infraestrutura. “Isso é que vai trazer a volta da ocupação [do trabalho].”

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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