Universitários da USP, Unip e FGV criam operadora de telefonia digital

Startup foi escolhida para participar de competição internacional e lançou campanha de financiamento coletivo para poder viajar

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Operadora de telefonia digital traz mais facilidades para o consumidor – Foto: Daniel Reche via Pixabay – CC

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E se sua operadora de celular deixasse de ser um problema? Foi esta a pergunta que motivou um grupo de seis estudantes universitários a criar a Fluke Operadora, empresa digital de telefonia móvel que pretende facilitar a vida dos clientes.

Desenvolvida por estudantes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP e Escola Politécnica (Poli) da USP, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade Paulista (Unip), a nova operadora virtual representará o Brasil, nos dias 10 e 11 de maio. Eles participarão da International Business Model Competition (IBMC), em Utah, nos Estados Unidos, competição que premia o melhor modelo de negócio universitário do mundo.

A participação foi conquistada após uma seletiva organizada pela Ideation Brasil, que reúne startups universitárias de todo o País. A equipe da Fluke Operadora participará da IBMC ao lado de 40 equipes de diversos países. Na competição, o objetivo é analisar a viabilidade, escalabilidade e o processo de validação do projeto, e os alunos contarão com a mentoria de docentes de grande relevância.

Para facilitar a viagem da equipe de seis alunos, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos, que serão usados em gastos de passagem aérea, alojamento e tarifas, que somam pouco mais de R$ 30 mil, mesmo valor que será pago ao primeiro lugar na premiação. O prazo para a contribuição pelo site é até dia 25 de abril.

Fluke

As operadoras virtuais surgiram na Europa em um ambiente de oligopólio de empresas de telefonia, que possuíam o problema de não conseguir que os clientes se mantivessem em só uma operadora. As operadoras virtuais chegaram com o propósito de conseguir fidelizar esses clientes através de uma parceria, focando em nichos utilizando a estrutura das grandes operadoras.

Segundo Marcos Antônio Oliveira Jr., aluno de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e um dos idealizadores da startup fundada em junho do ano passado, o conceito das operadoras virtuais ainda é pouco difundido no País. Enquanto na Europa a tecnologia surgiu 15 anos atrás, no Brasil, a experiência começou há cinco.

“Nosso cliente poderá contratar serviços da forma mais personalizada possível. Ele vai escolher o pacote que desejar, sem passar por intermediários, e não será obrigado a comprar planos extras que não utilizaria como forma de obter descontos em seu produto de interesse. Os valores de cada serviço ainda estão sendo estipulados”, explica Marcos.

O processo para contratação de serviços da Fluke será rápido, transparente e intuitivo, bastando apenas o interessado acessar o aplicativo da empresa e selecionar o que deseja. Dentro do app, será possível trocar de plano, alterar os dados pessoais, acompanhar o consumo em tempo real, contratar o acesso a redes sociais, minutos de ligações, SMS, internet, além de solicitar ajuda pelo chat ou diretamente pelo telefone. A melhor notícia é que tudo isso poderá ser solicitado sem precisar se aborrecer com músicas intermináveis durante as chamadas e desgastantes transferências de ligação entre os atendentes de telemarketing.

Equipe da Fluke Operadora – Foto: Divulgação

Priorizar o bom relacionamento com os clientes é uma das principais vantagens das operadoras digitais de telefonia. Diferentemente das empresas físicas, as virtuais não precisam se preocupar, por exemplo, com responsabilidades como suporte técnico e infraestrutura de rede, já que alugam a mesma plataforma utilizada por uma operadora convencional.

Além de se beneficiarem financeiramente, as companhias tradicionais ainda podem reduzir a ociosidade de suas redes, pois muitas delas não operam em sua capacidade máxima. Assim, essas operadoras terão os mesmos gastos mensais, mas com uma receita maior.

Os planos de ligação, internet, SMS e demais serviços serão comprados das empresas físicas pela Fluke em uma espécie de “atacado” e, posteriormente, disponibilizados ao consumidor final. Pensando no custo mensal para a manutenção da startup universitária, também deve ser contabilizado, além do aluguel pago às operadoras convencionais, os gastos com contratação e manutenção de softwares e os custos com os setores jurídico e de marketing.

Na Fluke será possível contratar planos personalizados – Foto: Reprodução

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil possui mais de 235 milhões de linhas móveis ativas, o que torna o país o 5º maior mercado do mundo na área. As operadoras Vivo, Claro, TIM e Oi contemplam mais de 98% das escolhas dos clientes e a falta de alternativas a essas quatro opções, muitas vezes, faz com que o usuário sinta-se refém dessas empresas.

“As grandes operadoras de telefonia possuem uma base enorme de clientes, tornando o mercado oligopolizado. Porém, muitos consumidores contestam a qualidade dos serviços prestados e, frequentemente, as reclamações desencadeiam problemas jurídicos às empresas. Foi por isso que escolhemos o caminho das operadoras virtuais, pois assim conseguimos focar em uma relação de excelência com os clientes”, afirma Yuki Watanabe, aluno da EESC.

Tratando-se apenas de chips móveis pré-pagos, o número de clientes que trocam de operadora por ano gira em torno de R$ 60 milhões. “Falta transparência às operadoras. Algumas pessoas mal sabem o valor exato que irão pagar na fatura do mês seguinte ou se o serviço está realmente sendo entregue, por exemplo. Para piorar, a comunicação com as empresas físicas é difícil e muitos clientes até deixam de mudar de operadora por pensar que na concorrente o serviço também será ruim”, explica Matheus Uema, aluno do curso de Engenharia de Computação, oferecido pela EESC em parceria com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), também da USP em São Carlos.

O foco da Fluke é o público jovem, e a escolha por São Carlos para desenvolver o projeto foi estratégica: “É uma população mais adepta a inovações digitais e que está inserida no campo da tecnologia. Muitos estudantes se mudam para São Carlos a fim de estudar e acabam trocando de operadora para falar com os pais. Pode ser um momento oportuno para nós”, diz Yuki.

Com informações de Henrique Fontes e Bruna Caetano

 

 

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