Modelo permite otimizar aplicação da terapia fotodinâmica

Método poderá ser utilizado na investigação de casos de resistência e variabilidade de resultados da terapia

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Foto: Divulgação/IFSC
Foto: Divulgação/IFSC

A aplicação da terapia fotodinâmica (TFD) poderá ser mais eficaz em tratamentos clínicos não-invasivos ou minimamente invasivos, se depender de um estudo desenvolvido recentemente no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. Em seu mestrado, desenvolvido no Grupo de Óptica do IFSC, a pesquisadora Clara Maria Gonçalves de Faria elaborou um “modelo de distribuição limiar de doses de TFD”, ou seja, uma curva que ilustra como as tolerâncias das células se distribuem em um intervalo de doses da luz da Terapia. O método poderá ser utilizado na investigação de casos de resistência e variabilidade de resultados em aplicações de TFD.

A TFD baseia-se na associação de três componentes: luz (ajustada em determinada frequência), substância fotossensibilizadora e oxigênio. Quando a luz incide na substância fotossensível, esta é estimulada, liberando um oxigênio que combate células tumorais e de microrganismos.

Embora a TFD seja aplicada no tratamento de lesões e doenças, como câncer, e utilizada inclusive para fins cosméticos, há questões acerca de sua funcionalidade que continuam sem solução. Por exemplo, às vezes, um conjunto de células doentes resiste à técnica após ser submetido a algumas sessões da Terapia – em alguns casos, o tratamento de TFD exige mais do que uma sessão de aplicação.

Curva genérica de dose resposta (em preto) e sua respectiva distribuição de limiar de dose (azul) - Foto: Cedida pelos autores
Curva genérica de dose resposta (em preto) e sua respectiva distribuição de limiar de dose (azul) – Foto: Cedida pelos autores

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Parâmetros

Na primeira etapa do trabalho, Clara analisou diversos gráficos de publicações científicas que correspondiam a aplicações da TFD em diferentes tipos de célula, usando seu modelo – a análise foi descrita no artigo Determination of the threshold dose distribution in photodynamic action from in vitro experiments, publicado no Journal of Photochemistry and Photobiology B: Biology, da Elsevier.

Clara Maria Gonçalves de Faria, pesquisadora do Grupo de Óptica do IFSC - Foto: Divulgação/IFSC
Clara Maria Gonçalves de Faria, pesquisadora do Grupo de Óptica do IFSC – Foto: Divulgação/IFSC

Na segunda fase do projeto, ela realizou experimentos in vitro, avaliando parâmetros essenciais para a TFD, a partir da utilização do fotossensibilizador Photogem e das células de fígado saudáveis, resistentes (que foram submetidas a 10 sessões de TFD) e tumorais. Ao testar cada elemento (como, por exemplo, a concentração do fotossensibilizador) sem alterar os demais parâmetros, Clara verificou com mais clareza as condições que permitem que uma determinada aplicação apresente resultados eficazes no tratamento de câncer.

O intuito de Clara é divulgar os resultados dessa segunda etapa em novo artigo científico, que poderá ser publicado em breve. Contudo, adianta que a conclusão do projeto comprova a possibilidade do método ser utilizado na investigação de casos de resistência e variabilidade de resultados em aplicações de TFD, podendo estabelecer protocolos de aplicações clínicas mais eficazes. A pesquisa foi orientada pelo professor Vanderlei Salvador Bagnato, do IFSC, e realizada através do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

(Thierry Santos & Rui Sintra, da Assessoria de Comunicação do IFSC)

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