USP comemora 88 anos de fundação com nova gestão e novos desafios
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Em 25 de janeiro de 1934, o decreto nº 6.283 criou a Universidade de São Paulo (USP) para "promover, pela pesquisa, o progresso da ciência; transmitir pelo ensino, conhecimentos que enriqueçam ou desenvolvam o espírito, ou sejam úteis à vida; formar especialistas em todos os ramos de cultura, e técnicos e profissionais em todas as profissões de base científica ou artística; e realizar a obra social de vulgarização das ciências, das letras e das artes, por meio de cursos sintéticos, conferências palestras, difusão pelo rádio filmes científicos e congêneres"
A história da Universidade se confunde com a própria vida da cidade e do Estado de São Paulo e é inegável sua importância dentro da trajetória do país, desde a sua fundação, em 1934.
A proposta de criação de uma universidade se inseria em um projeto político voltado para a modernização do país e era vista pelos intelectuais como uma missão paulista. Nesse contexto, em 1934, por meio do decreto nº 6.283, Armando de Salles Oliveira, interventor federal, criou a Universidade de São Paulo.
Os fundadores da USP tinham a convicção de que o quadro de professores, principalmente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), deveria ser do mais alto gabarito. Visto que não se encontravam acadêmicos com essas qualidades em quantidade suficiente no Brasil, consideraram, então, o recrutamento de docentes estrangeiros das melhores universidades do mundo.
Teodoro Augusto Ramos, diretor da Faculdade, ficou responsável pelo recrutamento dos docentes estrangeiros e viajou para a Europa a fim de cumprir com sua missão.
No cerne de todo o processo de fundação da USP, esteve a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Ao redor dessa célula-mater se desenvolveu a vida universitária por excelência, com sua permanente ebulição de ideias e de novidades nos mais variados ramos do saber.
Entretanto, antes mesmo da criação da USP, as escolas fundadoras — Faculdade de Direito, Escola Politécnica, Escola Livre de Farmácia, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Faculdade de Medicina e Faculdade de Medicina Veterinária —, atenderam com excelência a demanda por advogados, engenheiros, médicos, agrônomos e outros profissionais.
O primeiro reitor da Universidade, Reynaldo Porchat, tomou posse no dia 6 de junho de 1934, data em que foi aprovado pelo Conselho Universitário o primeiro estatuto da Universidade.
Amanhã, dia 26, é o dia da cerimônia de posse dos novos reitor e vice-reitora da Universidade, os professores Carlos Gilberto Carlotti Júnior e Maria Arminda do Nascimento Arruda. Esta será a 29ª gestão reitoral na história da Universidade.
Em 2021, a USP registrou o índice de 51,7% de alunos matriculados oriundos de escolas públicas em seus cursos de graduação e, dentre eles, 44,1% autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI). Trata-se do maior porcentual atingido pela Universidade desde o início da reserva de vagas destinadas a esses estudantes, aprovada pelo Conselho Universitário em 2017.
Das 10.992 vagas preenchidas naquele ano, o que representa 98,8% do total, 5.678 são alunos de escolas públicas e, desses, 2.504 são PPI.
A Universidade tem alcançado posições de destaque nos principais rankings internacionais de instituições de ensino superior. Em 2021, no World Reputation Ranking, elaborado pela consultoria britânica Times Higher Education (THE), por exemplo, a USP ganhou dez posições, passando do grupo 91-100 para a posição 81-90 entre as universidades de melhor reputação mundial e é a mais bem classificada da América Latina.
Um dos principais desafios da USP em seus 88 anos de história foi o enfrentamento da pandemia da covid-19. A Universidade dispôs de sua infraestrutura tecnológica e contou com o engajamento da comunidade universitária para dar continuidade às atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Mais de 250 grupos de pesquisas direcionaram seus trabalhos para auxiliar a sociedade. O desenvolvimento de ventiladores pulmonares de baixo custo do Projeto Inspire é um exemplo desse esforço. Os equipamentos foram distribuídos para hospitais nos Estados de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Mato Grosso.
2022 marca o bicentenário da Independência do Brasil e a reabertura do Museu do Ipiranga. Quando a obra estiver finalizada, em setembro, o prédio será dedicado exclusivamente à visitação pública, com exposições e espaços para apreciação visual de sua arquitetura, acessibilidade, sustentabilidade e segurança, com equipamentos especiais para a prevenção de incêndios.
Já o Edifício Ampliação, um espaço novo com 6.800 metros quadrados de área deverá abrigar sala de exposições temporárias, salas para atendimento do programa educativo, café, auditório e lojas.
Está escrito no brasão da Universidade “Vencerás pela ciência”. E é com a ciência que a Universidade tem enfrentado desafios e conquistado reconhecimento nacional e internacional nesses quase 90 anos de história.
É esse o DNA que permitiu à USP atravessar quase nove décadas sem perder de vista seus ideais: pesquisar, ensinar e estender seus serviços à comunidade, ajudando a criar a implantar políticas públicas. Assim, como estava escrito no decreto de sua criação em 25 de janeiro de 1934.
Texto: Adriana Cruz

Fotos: Jorge Maruta, Cecília Bastos, Marcos Santos, George Campos, Acervo CAPH FFLCH

Montagem: Thais H Santos
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