Plataformas on-line ajudam estudantes a aprender sobre tecidos do corpo humano

Ferramentas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP tiveram aumento de acessos durante a pandemia e seguem com alta adesão no retorno das aulas presenciais

 18/04/2022 - Publicado há 9 meses
Imagens de tecidos disponíveis na plataforma Microscopia On-line – Arte sobre fotos/Microscopia On-line

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O Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP utilizou duas alternativas para manter o ensino da disciplina de Histologia o mais fiel possível às experiências de laboratório, durante o período de ensino a distância na pandemia: o site Microscopia On-line (MOL) e o Laminário Virtual Omero. Agora, com o retorno total das aulas presenciais na USP, os recursos seguem disponíveis para consulta, o que auxilia nos estudos dos graduandos quando estão fora das salas de aula.

Histologia é uma matéria que consiste no estudo dos tecidos do corpo humano. É uma disciplina obrigatória aplicada no ICB aos alunos dos primeiros anos de graduação de praticamente todos os cursos da área de saúde e de ciências biológicas. O seu ensinamento é baseado, em grande parte, na observação em microscópios.

Criada em 2004, o MOL é uma plataforma de acesso aberto e gratuito, exceto para utilização comercial. Desenvolvida pelo professor sênior do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB, Paulo Abrahamsohn, ela abrange desde os módulos gerais e mais básicos até os mais específicos de cada disciplina.

“Em 2017, atualizamos o site para a sua terceira versão. Durante a pandemia continuamos aumentando o acervo e temos agora quase quinhentas páginas de conteúdo com imagens capturadas por microscópios do nosso departamento e digitalizadas, que contemplam os tecidos humanos, com exceção das imagens de olho e ouvido, que estão sendo implementadas”, informa Abrahamsohn. Ele completa que “isso é importante porque alguns alunos têm em sua grade apenas uma pequena parte da disciplina, enquanto outros têm ela completa, com módulos mais específicos de sua área de formação. Como os alunos de odontologia, que precisam estudar os pormenores da histologia oral”.

Professores Paulo Abrahamsohn e Fábio Siviero, criadores de plataformas virtuais para o ensino de Histologia – Fotos: Divulgação/ICB

Abrahamsohn define o site como um “tutorial” para o ensino da Histologia. A definição se dá em função do tipo de conteúdo, que apresenta de maneira didática o que está sendo mostrado nas imagens. “Tentamos incluir no texto todos os detalhes do que está sendo exibido para que o aluno possa estudar por conta própria. Além disso, quando você passa o mouse em cima da ilustração, ela muda de cor e indica a estrutura que deve ser observada. Isso ajuda o estudante a localizá-las, algo que eles têm dificuldade de enxergar, mesmo durante as aulas presenciais”, complementa.

Já o Laminário Virtual é definido pelo seu criador, o professor Fábio Siviero, também do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento, como o “Google Earth” da Histologia. Assim como a plataforma do Google, ele permite navegar, dar zoom, anotar, medir estruturas presentes nas lâminas, entre outros recursos disponíveis, além de armazenar um grande banco de dados.

“Começamos o Laminário Virtual em 2009 de forma presencial, usando salas informatizadas; em 2015 começamos a disponibilizar uma versão on-line, quando introduzimos as primeiras lâminas em um servidor utilizando a plataforma Omero”, destaca Siviero. Trata-se de um software gratuito, de hospedagem de imagens de alta definição, que permite utilizar imagens de todos os tipos (jpg, .png, .tif etc.), inclusive imagens clínicas e de formatos utilizados em pesquisas (DICOM, zvi etc.), como aquelas utilizadas em aparelhos de tomografia, ressonância magnética e microscópios eletrônicos. Isso fez com que possamos navegar por elas e que o aluno possa utilizar a ferramenta sem sentir grandes diferenças em relação ao microscópio”, destaca Siviero.

Com o aumento da demanda durante a pandemia, a plataforma passou por uma grande reformulação. Com as aulas remotas, foi preciso abrigar mais conteúdo para que a plataforma contemplasse mais disciplinas. “Criamos uma nova versão, atualizando o software e introduzindo uma coleção de lâminas maior e que inclui lâminas de histologia de sistemas (área da histologia que lida com órgãos), histologia de desenvolvimento, de fertilização, entre outros temas. Hoje temos 166 lâminas disponíveis para serem utilizadas em qualquer lugar e mais de 600 lâminas para uso interno no servidor do ICB. Antes disso, tínhamos uma coleção on-line relativamente pequena. Eram apenas as lâminas principais de histologia básica.”
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Telas da plataforma Microscopia On-line – Foto: Reprodução/ mol.icb.usp.br

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Rompendo  barreiras

Durante a pandemia, o MOL registrou um crescimento significativo na quantidade de acessos. “Chegamos a ter uma média de 40 mil visitantes mensais, um crescimento de 30%. E por ser uma ferramenta de acesso aberto, temos visitantes de diversas regiões do País, da América Latina, dos demais países que falam português e até dos Estados Unidos, da Ásia e da Europa”, afirma Abrahamsohn.

Já o Laminário Virtual é uma plataforma de uso restrito aos alunos da USP que cursam disciplinas relacionadas ao ensino da Histologia no ICB. Desta forma, ele é aplicado para 3.700 estudantes em 14 unidades, distribuídos em 44 disciplinas. Mas, com a alta demanda criada pelo ensino remoto, passou a ser disponibilizado para alunos de outras unidades da USP, como a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FZEA), no campus de Pirassununga, e pelo curso de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), além de outras instituições públicas do País que solicitaram seu uso, como a Universidade Federal da Bahia.

Feedback positivo

“O retorno que tivemos dos alunos é que dá para adotar aulas neste modelo com tranquilidade, de forma remota, simulando a aula prática presencial. Além de recomendarmos que os docentes o utilizem nas aulas, também achamos importante que os estudantes usem o Laminário depois da aula. A Histologia é igual ao ensino de uma língua estrangeira, é preciso praticar para reconhecer o novo vocabulário. Os alunos recebem roteiros de estudos dirigidos, que são fundamentais para essa prática”, afirma Siviero.

Ao MOL, o retorno também é positivo. “É um conteúdo que alguns materiais didáticos utilizam como um estudo complementar às aulas. Mas muitos alunos também o usam durante as aulas práticas, pois dizem que o site os ajuda a acompanhar. Costumamos receber muitos e-mails com elogios e até pedindo correções de pequenos erros que às vezes cometemos. É um sinal de que eles leem com atenção”, complementa Abrahamsohn. As avaliações positivas são potencializadas pelo fato de ambas as plataformas serem responsivas, o que garante a visualização das imagens em qualquer dispositivo móvel sem perda significativa de qualidade.

Para conhecer as plataformas acesse os links: Microscopia On-line – MOL (aberta ao público) e o Laminário Virtual Omero (para alunos da USP cadastrados nas disciplinas de Histologia).

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Texto: Gabriel Martin, Agência Acadêmica de Comunicação

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