Reitores discutem os efeitos da pandemia e as injustiças raciais e de gênero

A reunião com representantes de sete universidades foi promovida pela iniciativa HeForShe, da ONU Mulheres

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A reunião foi uma oportunidade para os dirigentes compartilharem as iniciativas das universidades para a promoção da igualdade de gênero durante a pandemia – Imagem: Erika Yamamoto/USP Imagens

Na manhã do dia 14 de julho, dirigentes de sete das dez universidades que participam do movimento HeForShe, promovido pela ONU Mulheres, reuniram-se para discutir como essas instituições estão lidando com os efeitos da pandemia, especialmente em relação às injustiças raciais, sociais e de gênero.

“Estamos vivendo um período muito dramático na história da humanidade, e percebemos que a pandemia tem afetado homens e mulheres de maneira diferente. O impacto do trabalho para as mulheres é desproporcional, porque, além das atividades profissionais, elas ainda se encarregam dos cuidados com a casa e com a família”, afirmou a vice-diretora Executiva da ONU Mulheres, Anita Bhatia.

Vahan Agopyan – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Representando a USP, o reitor Vahan Agopyan falou sobre as iniciativas da Universidade no combate à pandemia da covid-19, em especial, as medidas voltadas para a proteção dos estudantes em alojamentos e a criação de um comitê para acompanhar o avanço da doença.

“O compromisso da USP com o HeforShe é muito importante e mudou o modo como a Administração e a comunidade universitária lidam com a questão de gênero. A pandemia ressaltou várias faces da sociedade brasileira, e uma das surpresas positivas que tivemos foi a grande visibilidade alcançada pelo trabalho das nossas cientistas. Só para citar um exemplo, duas pesquisadoras nossas foram responsáveis pelo sequenciamento genético do coronavírus em apenas 48 horas”, explicou o reitor.

Agopyan também chamou a atenção para duas campanhas lançadas pelo Escritório USP Mulheres pela igualdade de gênero no contexto da epidemia.

USP pela igualdade de gênero

Com a interrupção das aulas e atividades presenciais na USP desde 17 de março, as atividades acadêmicas e administrativas passaram a ocupar o espaço doméstico por meio do teletrabalho ou das aulas online.

Atendendo aos pedidos da comunidade interna e acompanhando o incentivo feito pela ONU Mulheres para que os impactos da pandemia sobre as mulheres fossem discutidos nas Universidades, o Escritório lançou em junho a campanha “A USP unida pela igualdade de gênero”, que busca conscientizar a comunidade universitária sobre a necessidade de uma justa divisão de tarefas domésticas e cuidados com familiares.

Maria Arminda do Nascimento Arruda – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Em julho, foi lançada uma segunda campanha, “A USP Mete a Colher na Violência Doméstica”, com o objetivo de chamar a atenção para o problema e mobilizar a comunidade universitária para denunciar adequadamente casos de violência doméstica.

“Todo mundo sabe, mas ninguém tem coragem de enfrentar e denunciar a violência contra a mulher e, assim, o feminicídio é crescente. A campanha visa desnaturalizar essas formas arraigadas de violência de gênero”, explica a coordenadora do Escritório USP Mulheres, Maria Arminda do Nascimento Arruda.

A equipe do Escritório mapeou e disponibilizou em seu site os serviços de acolhimento e atendimento psicológico, jurídico, social e de saúde oferecidos pelo poder público nas nove cidades em que a USP possui campus ou unidade: São Paulo, Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos, São Carlos e São Sebastião.

Maria Arminda ressalta que “a comunidade universitária é representativa, com mais de 100 mil pessoas entre alunos, professores e funcionários, e a Universidade é um lugar especial para tratar questões sobre a violência porque produzimos pesquisa, dados. Conhecemos o problema e podemos oferecer subsídios para a sociedade criar políticas públicas e enfrentar a situação”.

Cartaz da campanha “A USP ‘mete a colher’ na violência de gênero” – Arte: Hellen Gama / USP Mulheres

Escritório USP Mulheres

Em 2015, a USP foi uma das dez universidades mundiais escolhidas para integrar o projeto Impacto 10x10x10, desenvolvido pelo movimento “ElesPorElas” (HeForShe, em inglês) da UN Women, instituição da Organização das Nações Unidas dedicada a projetos na área de igualdade de gêneros e empoderamento das mulheres.

A primeira iniciativa da Universidade ao ingressar no projeto foi a criação do Programa USP Mulheres, inicialmente coordenado pela professora da Faculdade de Medicina, Lilia Blima Schraiber. No ano seguinte, em 2016, foi inaugurado o Escritório USP Mulheres.

O projeto Impacto 10x10x10 foi lançado no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e reúne 30 líderes mundiais em três setores – público, privado e academia. As universidades foram selecionadas a partir de critérios baseados em sua reputação ética, excelência no serviço público, relevância e alcance global e boa vontade para usar sua influência para comandar e inspirar mudanças no ensino superior.

A USP é a única universidade latino-americana a participar do grupo, composto pela Universidade de Leicester (Reino Unido), Universidade de Kenyatta (Quênia), Universidade de Stony Brook (Estados Unidos), Universidade de Nagoya (Japão), Universidade de Waterloo (Canadá), Universidade de Witwatersrand (África do Sul), Sciences Po (Paris) e Universidade de Georgetown (Estados Unidos).

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