Para psiquiatra, estado de alerta sem pânico ajudará a conter epidemia

Especialista da FMRP diz que a ansiedade favorece um estado de alerta saudável para a prevenção; sentimentos extremos é que devem ser evitados

Foto: USP imagens

O mundo nunca viveu uma situação de pandemia com as características que vive hoje. Medidas extremadas adotadas por governos, como isolamento forçado da população no combate ao novo coronavírus, podem ter um forte impacto psicológico nas pessoas.

A pressão que a pandemia proporciona, por exemplo, pode provocar ansiedade, mas isso não é de todo ruim. O que é ruim é se essa pressão gera pânico, sentimentos extremos. A análise é da psiquiatra Cristiane Baes, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar – Edição Regional, a professora explicou que o estresse, ao gerar ansiedade, desperta o sentimento de alerta, de cuidados; mas quando esse estresse cria pânico, depressão ou ansiedade elevada, pode ser danoso porque as pessoas perdem a capacidade de raciocinar com discernimento.

Cristiane deu dicas do que as pessoas podem fazer para não ficarem em pânico no atual momento. Ao se isolarem, as pessoas devem conviver mais com a família, ler livros, ver filmes. Não devem ficar na internet o tempo inteiro, consumindo informações, basta uma vez por dia para se atualizar. “As pessoas têm que entender que o isolamento forçado não é para sempre, mas se trata de medida temporária que pode beneficiar a todos”, argumentou.

Quanto às adaptações feitas pelo Hospital das Clínicas da FMRP-USP para os atendimentos de saúde mental em Ribeirão Preto, a professora informou adiamento das consultas, alertando que os pacientes não precisem se dirigir ao hospital, pois assim diminuem a vulnerabilidade à infecção.

Ouça a entrevista no link acima.

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