Estudo auxilia planejamento de tráfego considerando riscos à saúde

Levantamento aponta que passageiros de ônibus estão mais expostos à poluição do que usuários de carro e metrô

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Há desigualdade em São Paulo também quando o assunto é poluição do ar. Passageiros de ônibus que fazem longos trajetos diários estão mais expostos à poluição do que motoristas de carro ou passageiros de metrô. Há também uma diferença significativa entre os níveis de poluição em locais como faixas de ônibus, pontos de ônibus e nas principais vias da cidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite de exposição a material particulado é de 20 µg/m3 (micrograma por metro cúbico de ar), índice superado por todas as estações de monitoramento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Algumas chegam próximo a 40 microgramas de material particulado, como é o caso das estações de Osasco, Grajaú e Mauá. Para falar sobre o assunto, o Jornal da USP no Ar conversou com Maria de Fátima Andrade, professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

A constatação foi possível a partir de um projeto financiado pela Fapesp de que Maria de Fátima participa. Segundo ela, o objetivo é comparar níveis de poluição em três regiões metropolitanas: São Paulo, Londres e Roterdã. A ideia é fazer uma comparação de exposição à poluição entre os usuários de automóveis, metrô, trem e bicicleta durante o trajeto casa-trabalho. O diferencial do estudo está na forma de medição. Normalmente, são realizados em pontos físicos, gerando uma concentração média. O estudo se propôs a realizar a medição durante a trajetória do sistema de transporte. “Aqueles que moram em regiões mais afastadas ficam muito mais tempo expostos e, em geral, as concentrações são mais elevadas em regiões mais periféricas da cidade”, explica. A concentração de fuligem no ar provinda do óleo diesel também se mostrou elevada.

A população usa transporte alternativo e o trânsito fica complicado com mais carros nas vias – Foto: José Cruz/Agência Brasil via Fotos Públicas

De acordo com a professora, o estudo possibilita dar subsídios à elaboração de projetos para melhoria do transporte público. Isso porque existem corredores de ônibus que poderiam se beneficiar de um transporte mais limpo em locais em que há uma grande quantidade de pessoas expostas. Ou, então, priorizar o transporte de ônibus mais limpo em regiões da cidade onde as concentrações de poluição já são elevadas. “Não considerar somente o tráfego como uma questão de planejamento, mas também levar em consideração a exposição a que as pessoas estão sujeitas.”

O projeto também contou com uma pesquisa de percepção de cada pessoa a essa exposição. Maria de Fátima conta que foi constatado que elas costumam relacionar esses fatores. Além disso, os resultados do projeto também combatem a ideia de que necessariamente nas periferias há menos poluição por estarem distantes do centro. Isso porque os meios de transportes nessas regiões costumam ser mais antigos e, por isso, de categoria que permite emitir mais poluentes. Ainda sim, ela se mostra otimista com relação à questão, pelos resultados mostrados em que a população tem consciência desse grave problema urbano.

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