Como a escola pode ajudar a trazer mais mulheres para a ciência?

Escola teria papel essencial no aumento da autoconfiança feminina em ambientes de trabalho

Agora quinzenal, a coluna Ciência e Cientistas retorna com o comentário do professor Paulo Nussenzveig sobre um tema relacionado com o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, que aconteceu em 11 de fevereiro. “Há evidências abundantes de sub-representação feminina nas disciplinas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês)”, comenta. “Há vários estudos buscando causas para o fenômeno e formas de aumentar a presença feminina.”

Nussenzveig comenta o artigo da psicóloga Lisa Damour, publicado no jornal The New York Times em 7 de fevereiro, com o título “Por que as meninas se saem melhor que os meninos na escola e pior no escritório”. “Lisa Damour pergunta: ‘será que a escola é uma fábrica de confiança para nossos filhos, mas apenas uma fábrica de competência para nossas filhas?’. Ela argumenta que, com frequência, meninas produzem trabalhos escolares indo muito além do que foi pedido por seus professores. “Enquanto meninos desenvolvem a tendência de ‘calibrar’ sua atitude para obter o melhor resultado com o mínimo de esforço, as meninas ‘capricham’ muito mais”.

Segundo o professor, Lisa sugere que pais e professores devem evitar a valorização de trabalho ‘além da conta’ (portanto, ‘ineficiente’), mesmo se resultar em boas notas. “Cita um trecho de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, em que Hermione entrega um trabalho com dois rolos de pergaminho a mais do que o requisitado: é claro que ela conseguiria resultados comparáveis com muito menos esforço!”, relata. [Lisa] afirma que “o desnível de autoconfiança não é, obviamente, o único fator a tratar para superar desigualdades de gênero no mercado de trabalho (e, por extensão, na ciência). Por outro lado, é uma barreira identificada que podemos atacar, mudando atitudes relativas ao trabalho escolar de meninos e meninas”.

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