Desigualdade socioespacial torna acesso ao emprego um problema crônico em São Paulo

Em nota técnica, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) aponta que a capital paulista ainda enfrenta dificuldades para garantir o pleno acesso físico de sua população a oportunidades de trabalho

 Publicado: 27/09/2021  Atualizado: 30/09/2021 as 11:18
“As famílias com mais baixa renda não têm condição de morar próximas de onde há a melhor infraestrutura da cidade” – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Grandes cidades nem sempre deixam de abrigar grandes desigualdades. No caso de São Paulo, elas podem possuir várias faces, sendo uma das principais aquela encontrada no acesso físico ao emprego por parte da população. Em sua nota técnica, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) apresentou o indicador de acessibilidade juntamente com medidas possíveis para aumentar o acesso da população de renda às oportunidades de trabalho.

A metodologia do estudo analisa quantos focos de emprego um morador paulistano pode alcançar estando a 60 minutos de sua moradia. Com isso, foi constatado que apenas 16% das famílias de São Paulo têm acesso a pelo menos metade dos empregos existentes neste intervalo de tempo. “Temos uma desigualdade socioespacial bem pronunciada em São Paulo. As famílias com mais baixa renda não têm condição de morar próximas de onde há a melhor infraestrutura da cidade”, aponta Mariana Giannotti, professora da Escola Politécnica da USP e coordenadora da Área de Transferência e pesquisadora do CEM.

Um dos instrumentos para combater essa desigualdade é o Plano Diretor Estratégico da Cidade, lei que direciona o desenvolvimento urbano do município. As mudanças devem considerar onde as pessoas vivem, como elas se deslocam ao trabalho e de que forma é possível aproximar esses eixos. “O Plano Diretor pode ajudar no adensamento da população de baixa renda em locais com melhor infraestrutura de transporte e com maior quantidade de postos de emprego”, analisa Beatriz Moura, engenheira formada pela Poli e consultora de mobilidade urbana e gênero. Contudo, notou-se que a construção de unidades habitacionais próximas a eixos de transporte não ocorreu idealmente.

A professora Mariana explica que os instrumentos para garantir a acessibilidade ao emprego até existem, mas eles carecem da implementação: “Temos uma desigualdade muito grande, que não é decorrente de uma gestão, mas de uma história de formação do tecido urbano”.


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