Startup de ex-alunos da USP é uma das 50 mais promissoras do mundo na área de inteligência artificial

Tractian, startup de monitoramento de máquinas industriais avaliada em R$ 1 bilhão, foi fundada por egressos do Campus da USP em São Carlos e está na lista Forbes como uma das mais promissoras do mundo

 Publicado: 27/05/2024     Atualizado: 29/05/2024 as 16:56
Gabriel Lameirinhas, Igor Marinelli e Leonardo Vieira (no detalhe), da Tractian – Foto: Thiago Hideki/Divulgação Tractian

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Motivados pelo desejo comum de empreender e aproveitar as experiências no ramo industrial, três ex-alunos do curso de Engenharia de Computação se uniram e criaram, em 2019, a Tractian, uma startup que desenvolve soluções de hardware e software justamente nesse setor que a eles já era familiar. O curso de graduação é oferecido pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) em parceria com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC).

Apesar de confiantes na jornada empreendedora, não esperavam o feito alcançado apenas cinco anos depois: figurar na lista Forbes como uma das 50 empresas de inteligência artificial mais promissoras do mundo, avaliada em R$ 1 bilhão, somando investimentos de alguns dos fundos mais respeitados do mercado. Hoje, com outros quatro integrantes também da EESC no quadro da direção, o exemplo e a história de sucesso que o grupo está escrevendo reforçam como o aprendizado e o ambiente da universidade podem fazer a diferença na caminhada profissional.

A startup foi fundada por Leonardo Vieira, Igor Marinelli e Gabriel Lameirinhas e, depois, somaram-se a eles João Vitor Granzotti, também formado em Engenharia de Computação, e Pedro Badini, graduado em Engenharia Mecatrônica (EESC).

Com foco no desenvolvimento de soluções de inteligência de máquina e sistemas de monitoramento industrial, a Tractian inaugurou a categoria de Assisted Maintenance (Manutenção Assistida) no setor industrial e, assim, se estabeleceu como pioneira e líder na aplicação de inteligência artificial à gestão e monitoramento de ativos, o que permitiu às empresas, que contavam e que contam com suas soluções, a economia de grandes recursos ao detectar antecipadamente falhas e otimizar equipes de manutenção.

Startup é destaque em monitoramento de máquinas industriais – Foto: Divulgação/Tractian

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Preparo e muito conhecimento

Para alcançar o atual nível, os líderes da startup destacam o preparo e a aquisição do máximo de conhecimento possível como itens essenciais. “Desenvolver tecnologia de ponta no Brasil não é uma tarefa fácil e arrisco dizer que seria impossível fazer isso sem uma educação de alto nível, com grade completa e projetos extracurriculares que te permitem colocar em prática e aprender com a mão na massa. Cheguei à EESC porque gostava de computadores, e foi na Universidade que conheci um mundo que ia muito além, da microeletrônica à IA. E o mais importante, saí de lá conhecendo pessoas que vieram a se tornar não só especialistas como também nossas lideranças de hardware, firmware, ciência de dados, software e outras áreas que hoje compõem o time de Tech da Tractian. Um time formado por quem tem conhecimento e muito preparo, adquiridos na Universidade”, ressalta Gabriel Lameirinhas, co-CEO da startup.

Ao fazer coro com seu colega, João Vitor Granzotti, diretor de dados da Tractian, também citou o ambiente universitário como fundamental na trajetória profissional. “A EESC desempenhou um papel fundamental na minha carreira, com um currículo abrangente, que inclui desde disciplinas básicas, como cálculo e física, até avançadas, como microeletrônica, semicondutores e IA. Esse tipo de formação completa e polivalente não apenas enriqueceu minha formação técnica, como também proporcionou insights valiosos sobre o campo da IA no Brasil e no mundo, o que foi decisivo para o sucesso da minha trajetória profissional e, consequentemente, para a nossa empresa.”

Fachada da EESC no campus da USP em São Carlos: formação completa e polivalente – Foto: Divulgação/EESC

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As habilidades interpessoais desenvolvidas na Universidade e as atividades extracurriculares também foram lembradas por Pedro Badini, diretor de R&D da startup, como fatores de soma na formação e construção profissional. “Além das disciplinas técnicas de alto nível, a EESC promove atividades extracurriculares que nos permitem colocar os conhecimentos em prática de forma também avançada e desafiadora, o que foi fundamental para que eu pudesse desenvolver meu conhecimento sobre protocolos digitais, aquisição de dados, desenvolvimento de eletrônicos e hardware no geral e o aplicasse no nosso empreendimento.”

Com uma base de conhecimento sólida, uma ideia bem construída e um grupo altamente competente, a consolidação da startup e o sucesso que tem alcançado é visto como consequência da dedicação coletiva. “Para nós, estar em listas, mesmo que renomadas, não deve ser o objetivo, e sim uma consequência do trabalho duro e bem realizado. É emocionante pensar que estamos ao lado de gigantes como a OpenAI, que está revolucionando o que entendemos por IA generativa no mundo todo. Mas temos ciência que a nossa entrada nesse seleto rol se dá porque também estamos revolucionando nesse segmento, o que nos deixa ainda mais confiantes de que estamos no caminho certo”, celebra Igor Marinelli, co-CEO da Tractian e ex-aluno de Engenharia de Computação da EESC/ICMC.

Startup quer impactar indústrias em todo o mundo – Foto: Thiago Hideki/Divulgação

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Próximos passos

Ao pensar nos próximos passos a serem dados, os empreendedores que saíram da EESC para ganhar o mundo têm o caminho mentalmente muito bem-planejado. “Ainda temos muitas barreiras a serem ultrapassadas, e a cada estágio novo da empresa a gente tem que se reinventar e amadurecer ainda mais, como pessoas e como empresa, também na forma como nos organizamos, fazemos produto e nos colocamos no mercado. Nosso principal próximo passo hoje é alcançar ainda mais pessoas dentro da indústria, empresas de pessoas diferentes com processos e disciplinas diferentes. Estamos muito fortes em manutenção, mas acredito que a gente consiga fazer ainda mais, impactando ainda mais as indústrias do mundo todo”, diz Lameirinhas.

“Para isso, claro, precisamos de mais pessoas capacitadas para fazer acontecer. Queremos encontrar e contratar profissionais que estejam alinhados aos nossos valores e que desejam construir tecnologia de ponta com a gente. Nesse sentido, confiamos na EESC como formadora de pessoas altamente capacitadas para junto conosco produzir tecnologia e seguir fazendo a diferença”, conclui.

Inovação e empreendedorismo

Com a missão de promover a formação empreendedora nos diversos níveis de ensino e pesquisa, a Escola de Engenharia de São Carlos criou, em 2014, o Centro Avançado para Apoio à Inovação, o EESCin.

O professor José Carlos Melo Vieira Junior, diretor do centro, afirma é que muito gratificante ver ex-alunos inovando e se destacando como empreendedores de sucesso. Para ele, ouvir dos próprios egressos que a EESC auxiliou em sua formação técnica e no desenvolvimento das suas habilidades interpessoais, é um grande estímulo e um retorno importante.

“Há algum tempo, a USP, e em especial a EESC, vem oferecendo diversas ações e criando ambientes que estimulam o empreendedorismo e inovação nos ensinos de graduação e de pós-graduação, bem como na pesquisa. Essas ações são extremamente relevantes para a formação dos estudantes, pois mostram que eles têm apoio se desejarem inovar e empreender. E esse apoio também se estende aos docentes e pesquisadores. Portanto, oferecer um ambiente que estimule a inovação certamente contribuirá para o surgimento de mais startups com o DNA USP. Além disso, conhecer e divulgar exemplos de sucesso, como é o caso da Tractian, motivará ainda mais nossos estudantes a buscar o caminho do empreendedorismo”, conclui.

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Texto: Assessoria de Comunicação da EESC e Ex-Libris


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