No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, no Brasil não temos o que comemorar

O Brasil ocupa a 111ª posição no ranking de liberdade de imprensa feito pela Organização Repórteres Sem Fronteiras, abaixo de países autoritários como Etiópia, Ucrânia e Hungria

O último 3 de maio foi o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas o Brasil ocupa a 111ª posição no ranking de liberdade de imprensa feito pela Organização Repórteres Sem Fronteiras, situando-se na chamada “Zona Vermelha”, onde é considerado difícil o exercício do ofício. Na coluna Horizontes do Jornalismo desta semana, o professor Carlos Eduardo Lins da Silva explica que essa situação é maquinada no Palácio do Planalto pelo chamado “gabinete de ódio” e pelos seguidores do presidente Jair Bolsonaro, que veem na imprensa um inimigo a ser combatido. “Ainda recentemente, na semana passada, o ministro da Saúde disse que a imprensa que não ajuda não pode ter anunciante, fazendo um apelo para que a indústria farmacêutica não anuncie em jornais ou veículos que não se alinhem com o presidente da República”, conta o professor. 

No ranking mencionado, o Brasil está abaixo de Etiópia, Ucrânia, Hungria, países em que o autoritarismo é evidente. Lins da Silva afirma que “isso ocorre por uma série de motivos, desde em vários países a justificativa de que, por causa do coronavírus, é preciso impedir a disseminação de informações que possam prejudicar o público, até a simples e ostensiva ação de membros como, por exemplo, no Brasil, do Poder Judiciário, que tentam fazer com que os jornalistas sejam censurados”. Então diversas formas de açodamento, de assédio e de intimidação têm sido realizadas contra jornalistas no Brasil, “muitas vezes sob a inspiração e até o comando do presidente da República e de seus familiares”. Para Lins da Silva, “não temos muito o que comemorar”.


Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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