Gestão de políticas públicas é fundamental para entender o funcionamento das cidades

Eduardo Marques explica a importância de se pensar as metrópoles e os agentes do espaço urbano em artigo em jornal lançado pela revista “Nature”

 Publicado: 08/02/2024
A ONU estima que cerca de 60% da população global resida em ambientes urbanos e esse número deve chegar a 68% até 2050 – Foto: PxHere

A revista Nature lançou um novo jornal em 2024, Nature Cities, dedicado a discutir assuntos relacionados à política das cidades e urbanismo. A primeira edição conta com um artigo do professor Eduardo Marques, do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo, intitulado Continuities and transformations in the studies of urban politics and governments (em português: Continuações e transformações nos estudos de políticas urbanas e governos).

A ONU estima que cerca de 60% da população global resida em ambientes urbanos e esse número deve chegar a 68% até 2050. O especialista explica quais são os desafios de se pensar em cidades cada vez mais populosas e complexas. 

Reconhecimento da importância das cidades

Segundo o docente, a criação do novo jornal na Nature é uma forma de reconhecimento da revista para a importância das cidades e a produção científica que estuda o espaço urbano, pois o crescimento das metrópoles é fator comum em todo o mundo.

Boa parte das questões pertinentes do nosso cotidiano, da nossa política, da nossa sociedade passa pela cidade. Então, hoje, a gente tem uma população urbana muito significativa e que tende a crescer muito, especialmente no sul global”, explica.

Eduardo Cesar Marques – Foto: FFLCH

Quem governa o quê?

Conforme conta Marques, uma pergunta clássica nos estudos urbanos é “quem governa?”. O nosso cotidiano nas cidades é regido por políticas públicas, e entender quem são os agentes por trás dessas políticas é fundamental para entender as cidades em si.

Essa  pergunta foi sendo sofisticada ao longo do tempo e a questão, hoje, para uma grande parte da literatura é entender: ‘Quem governa o quê? E quem governa o que o governo não governa?’ No mundo vivido, os atores estão em conexão entre si e agindo segundo suas crenças, suas ideias e seus interesses.”

Modelos mais completos

As cidades crescem muito e os problemas que elas abrigam também se complexificam com o crescimento, explica o professor. Para estudar e buscar soluções para esses problemas, são necessários modelos de estudo mais amplo, que reconheçam melhor os padrões urbanos ao redor do mundo.

“Assim como os problemas foram ficando mais complexos, os modelos de explicação têm ficado mais completos e é exatamente aquilo que o artigo destaca. Talvez para o cidadão que está andando na cidade não seja muito claro por que a cidade está cheia de buracos, por que tem engarrafamento, por que tem fila no posto de saúde. Mas, se ele pensar nos desafios colocados hoje em relação aos que estavam colocados nos anos 1950 e 1960 nessas mesmas cidades, ele consegue fazer esse exercício”, conclui o professor Eduardo Marques.


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