O fenômeno do crescimento de casas e apartamentos em SP e da diminuição de moradores

Nabil Bonduki dedica a sua coluna de hoje a explicar esse enigma, para o qual contribuem fatores como a transição demográfica

 29/02/2024 - Publicado há 2 meses

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Nabil Bonduki foca sua atenção num fenômeno bastante atual, confirmado pela divulgação dos dados sobre domicílios do censo de 2022: o grande crescimento do número de apartamentos em São Paulo – na verdade, um crescimento de 426 mil novas unidades, um acréscimo de 42% entre 2010 e 2022, “mas também surpreende o crescimento do número de casas, que aumentaram em 316 mil unidades, ou seja, também tivemos um crescimento de casas, de 13% , que surpreende muito”. A surpresa, segundo o colunista, vem do fato de que não mais se tem nas cidades muitos terrenos para construção de casas, uma vez que estes são caros e muitas dessas casas podem ter sido construídas em assentamentos precários, como favelas e loteamentos.

Ele chama atenção, porém, para um dado que considera interessante: apesar do crescimento no número de casas e apartamentos, há menos gente morando neles. “A população moradora nas casas caiu 5,5%, caiu por cerca de 470 mil pessoas morando a menos em casa; e, no caso do apartamento, embora o crescimento no número de apartamentos tenha sido de 42%, o número de pessoas cresceu apenas 26%”. Bonduki aponta alguns fatores que podem estar contribuindo para esse fenômeno, como é o caso da transição demográfica (população envelhecendo; novos modos de vida, com casais morando separados; pessoas morando sozinhas). Outro aspecto tem a ver com a questão da moradia temporária na cidade de São Paulo, um fenômeno mundial, segundo o colunista. No caso da capital, isso está muito ligado a fatores como reuniões de trabalho ou a realização de compras na grande metrópole, sem falar na figura dos nômades digitais, aquelas pessoas que trabalham on-line e que podem viver em qualquer cidade do mundo, ocupando moradias temporárias.

Em consequência, muitos proprietários de imóveis preferem alugá-los para moradia temporária em vez de concedê-los para um morador permanente, porque, dessa forma, conseguem aferir uma renda mais alta, “esse fenômeno é inevitável que esteja acontecendo, o que nós precisamos é ter uma melhor regulamentação, para que isso não gere uma elevação excessiva dos valores de aluguéis, que está acontecendo, principalmente nos bairros mais centrais, melhor localizados da cidade”. Vale ainda destacar um outro fenômeno, que também acontece nas cidades brasileiras, que é o do grande número de moradias vagas, outro dado apontado pelo censo. “Às vezes elas estão vagas porque muita gente que mora em outra cidade mantém um domicílio em São Paulo para, por exemplo, passar o fim de semana; São Paulo é uma cidade que tem um atrativo cultural muito grande, então muitas pessoas têm uma segunda moradia em São Paulo […] são fenômenos importantes, que também explicam esse grande crescimento do número de unidades habitacionais em geral na cidade de São Paulo, mesmo sem aumento da população fixa”.


Cotidiano na Metrópole
A coluna Cotidiano na Metrópole, com o professor Nabil Bonduki, vai ao ar quinzenalmente às quinta-feira às 9h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção a Rádio USP,  Jornal da USP e  TV USP.

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